“Lula, está repreendido, em nome de Jesus, pois só o Senhor é Deus”, disse Flávio Bolsonaro no último debate na Globo, quando o Lula perguntou se ele achava que venceria as eleições. Mas parece que o “deus das urnas” mudou de lado, decidindo repreender, corrigir e punir o candidato do PL e não o Lula.
Se a voz do povo fosse a voz de Deus, Ele seria falso, teria duas caras, uma espécie de Janus dissimulado e com bilhões de caras, mudando de opinião a cada segundo. Pra quem acredita que a voz do povo é a voz de Deus, explique como as mesmas pessoas que aclamavam Jesus no Domingo de Ramos, dias depois queriam a sua morte? A inconstância prova: o que a maioria aclama hoje como herói, passa a ser inimigo amanhã. Se a voz do povo fosse a voz de Deus, Deus viveria eternamente na dúvida. A manipulação consegue moldar a “voz do povo” para o bem e para o mal. Se a voz de Deus fosse a nossa voz, a terra seria um paraíso para todos.
A minha voz não é e não precisa ser a voz da minoria, tampouco a da maioria. Eu nunca votaria no Flávio Bolsonaro, mesmo sabendo que ele poderia vencer as eleições; e não votaria no Lula, se durante as suas dezenas de anos de vida política, ele tivesse dito 1% das baixarias que o Flávio Bolsonaro proferiu sobre ele. Eu não me deixo manipular pelo ódio de quem não respeita a diversidade de pensamentos e de opiniões. Deus não seria de confiança, se no primeiro turno Ele falava através da boca do Flávio Bolsonaro e mudou de lado, “manipulando” o pra votar no Lula.
Deus não se mete em política, Ele deve ter assuntos mais importantes pra resolver. Mas Ele deve estar rolando de rir com o candidato fujão que falava em Seu nome, agredindo o Lula, minorando todas as pessoas que perderam um dedo, uma perna, um olho, a visão, a audição, a memória, debochando dos estudantes, dos pobres, dos pretos, dos indígenas, menosprezando, em suma, aquilo que o fez perder as eleições: a voz do povo, que é a voz das urnas.
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Remisson Aniceto
