O voo entre Lisboa e a Madeira é a quarta rota aérea mais stressante da Europa, segundo um novo índice da AirAdvisor, que analisou atrasos, cancelamentos, condições meteorológicas e duração dos voos. A ligação obteve 61,4 pontos numa escala de 0 a 100 e recebeu a pontuação máxima, 10 em 10, no indicador relativo às condições meteorológicas no destino.
De acordo com o estudo, 7,43% dos voos entre o aeroporto Humberto Delgado e o aeroporto da Madeira – Cristiano Ronaldo registam atrasos superiores a uma hora e 0,70% ultrapassam as três horas. A taxa de cancelamento de voos é de 0,34%. A duração média considerada para a rota é de 110 minutos.
O fator meteorológico é o principal destaque no caso português. A rota Lisboa–Funchal tem 10 pontos em 10 relativamente às condições meteorológicas no destino, a pontuação mais elevada entre as rotas analisadas neste indicador. Na partida, em Lisboa, a pontuação atribuída é de 5 em 10.
O índice de desconforto ao voar da AirAdvisor, líder global em serviços de compensação de voos e bagagem, monitorizou 30 rotas europeias entre setembro de 2025 e agosto de 2026. Para a pontuação de stresse do viajante, numa escala de 0 a 100, o estudo considera a taxa de cancelamentos, atrasos superiores a três horas, atrasos superiores a uma hora, exposição às condições meteorológicas nos aeroportos de partida e destino e duração do voo.
A ligação entre Amesterdão e Barcelona é a pior da Europa e lidera o ranking com pontuação de 75,1 em 100 no índice de stresse. Os passageiros nesta rota enfrentam uma combinação exaustiva de um tempo de voo de 2 horas e 10 minutos, elevadas taxas de cancelamento (2,93%) e severas vulnerabilidades às condições meteorológicas de partida em Schiphol.
Em segundo lugar, está o trecho entre Londres-Heathrow e Amesterdão, com taxa de stresse de 63,8. Embora tenha uma curta duração, este voo tem a maior taxa de cancelamento de todo o estudo, com 3,69%, além da exposição a condições meteorológicas severas em ambas as extremidades da viagem. O trecho entre Manchester e Dublin fecha o topo do ranking com o terceiro lugar, devido à 7,51% de voos atrasados em mais de uma hora e 0,84% atrasados em mais de três horas. No geral, acumula um índice de stresse de 63,4.

O especialista em Direito Aeronáutico e CEO da AirAdvisor, Anton Radchenko, pontua que a ansiedade associada a uma viagem de avião não está necessariamente relacionada com a segurança do voo, mas pode ser influenciada pela previsibilidade da operação. Segundo ele, o stresse de voar raramente é influenciado por um único fator. “As longas esperas no portão de embarque, cancelamentos repentinos de última hora e condições meteorológicas adversas podem aumentar consideravelmente a ansiedade de um passageiro”.
O CEO da AirAdvisor explica que o índice de desconforto ao voar não se refere à segurança, mas sim à previsibilidade. “Este novo estudo expõe para os passageiros os caminhos específicos onde os cancelamentos, os atrasos brutais e o clima instável criam a tempestade perfeita para o stresse”, complementa Anton Radchenko, ao destacar que o espaço aéreo europeu continua seguro. Segundo ele, ao saber quais as rotas que são historicamente propensas ao caos operacional, os passageiros ansiosos podem preparar-se mentalmente, escolher melhores janelas de ligação e reduzir o risco de imprevistos.