A Mata Nacional do Bussaco, na região Centro de Portugal, recebeu a 17 de julho de 2026 a certificação internacional de “floresta terapêutica”, atribuída pela Healing Forest – International Certification Office. O reconhecimento é raro: até agora, apenas três outros locais, na Áustria e na Alemanha, tinham obtido esta certificação.
O Bussaco reúne 105 hectares de floresta e uma extraordinária diversidade botânica, resultado de séculos de plantações e da introdução de espécies provenientes de diferentes regiões do mundo.
A certificação não se limita à beleza ou às características naturais do espaço. O conceito de floresta terapêutica assenta num conjunto de requisitos específicos relacionados com a tranquilidade do local, a proteção contra o vento e o ruído, a existência de percursos adaptados a diferentes níveis de mobilidade, zonas de descanso e a presença de profissionais com formação adequada para acompanhar as atividades.
A certificação, válida até 2031, implica também um compromisso de continuidade. Durante esse período, o Bussaco deverá manter as condições exigidas, assegurar a formação dos profissionais e estruturar os diferentes percursos e atividades terapêuticas.
Atualmente, existem apenas quatro florestas no mundo com esta chancela, e estão todas na Europa: Mata Nacional do Buçaco (Portugal), Benediktinerstift Göttweig (Áustria), Bad Nauheim (Alemanha) e Lahnstein (Alemanha).
Caminhar, respirar e desacelerar
Por detrás do conceito de floresta terapêutica está a chamada terapia florestal, que pode ser utilizada como complemento aos tratamentos convencionais, nomeadamente em áreas relacionadas com doenças cardiovasculares, respiratórias, psicossomáticas, ortopédicas ou neurológicas.
As sessões podem combinar caminhadas lentas, exercícios de respiração, observação sensorial dos sons e dos aromas da floresta e momentos de relaxamento orientado.
O modelo já é aplicado noutros espaços certificados. Em Göttweig, na Áustria, por exemplo, a oferta inclui banhos de floresta acompanhados, exercícios de respiração e atenção plena, bem como atividades de movimento como ioga suave ou caminhada nórdica.
No Bussaco, a nova certificação deverá levar à criação de uma oferta estruturada semelhante, acompanhada por profissionais de saúde devidamente qualificados.
Quatro séculos de história
A vocação do Bussaco para o silêncio e o retiro é, contudo, muito anterior à certificação agora obtida.
Em 1628, os Carmelitas Descalços instalaram-se no local, onde criaram o seu “deserto”, um espaço destinado ao recolhimento e protegido por um decreto pontifício que impedia a entrada de estranhos.
Os religiosos contribuíram também para transformar profundamente a paisagem, introduzindo espécies arbóreas provenientes da América, da Ásia e do Norte de África. Ao longo dos séculos, o resultado foi uma das mais importantes e densas coleções botânicas de Portugal.
Entre as árvores emblemáticas da mata encontra-se o chamado cedro do Bussaco, que, apesar do nome, é na realidade um cipreste originário do México.
É precisamente esta combinação entre biodiversidade, isolamento, tranquilidade e uma paisagem moldada ao longo de séculos que constitui agora a base natural para a nova vocação terapêutica do Bussaco.
Muito mais que a Mata
A visita ao Bussaco permite ainda combinar a floresta com outros elementos do património e da região.
Nas proximidades encontra-se a vila do Luso, conhecida desde o século XIX pelas suas águas minerais. No coração da mata está também o Bussaco Palace Hotel, instalado num antigo pavilhão de caça real transformado num edifício de inspiração neomanuelina pelo arquiteto italiano Luigi Manini.
A cerca de 20 minutos de automóvel encontram-se os vinhedos da Bairrada, que completam o percurso com uma vertente gastronómica e vínica.
Entre floresta, património, águas termais e vinhos, o Bussaco passa assim a contar também com uma certificação que formaliza aquilo que muitos visitantes já procuram numa floresta: silêncio, contacto com a natureza e tempo para abrandar.
