E de repente
Somos uma folha no Outono
Somos a folha que sente
Somos o abandono
A folha caída
Da árvore quase despida.
E foge-nos a vida
Cai aqui, levanta ali
Já o vento lhe deu guarida
Coitada… parece perdida
Em pequenos voos
Anda à procura de si.
Ah… se ao menos o vento parasse
Para que a folha perdida
A si mesma se escutasse
Talvez essa folha de Outono
Encontrasse a sua vida
Sem que a sua vida fosse abandono.
António Magalhães
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