A poesia é um tesouro que procuro como a prata
Continuo a procurá-la em escondidos tesouros
Inclino o coração ao discernimento, a poesia não mata
Pode até penetrar no cérebro das formigas e de touros.
A poesia pode não ser compreendida por presidentes
Estar nas gavetas de sábios e intelectuais moribundos
Mas é compreendida por muito boa gente que a sente
Correr nas veias, a lê-se nas entrelinhas e germina em mentes…
A poesia clássica manda aos poetas o seguinte recado
Não é nessa gaveta amigo, é na gaveta da mágoa
A poesia clássica diz aos poetas modernos a seu lado
Vocês já não tem fígado: beberam muito tinto, e pouca água.
A poesia clássica diz: não é no sótão, está no salão meu amigo
Pesquisa noutra arrecadação onde guardo alguns livros
Dos poetas já mortos. Mortos de marasmo. Mas eu estou contigo
E com os poucos que ainda no presente continuam vivos.
A poesia clássica veste gravata de seda bem florida
E no peito trás a primavera estampada na camisa
E nas calças em forma de boca de sino mesmo na medida
Por que sua barriga agora gorda, outrora já foi lisa.
A poesia clássica, se não sabes, então a inventa
Com uma crise de palavras, ou dita uma nova legislatura
O orador terminou seu discurso e um novo agora tenta
Convencer seus leitores, e a todos, e tolos cheios de secura…
José Valgode
