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Presidenciais: Marcelo promete unir o país

O Presidente da República reeleito, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu no domingo à noite que os portugueses mostraram nestas eleições presidenciais que rejeitam o extremismo e prometeu estabilizar e unir o país.

“Tenho a exata consciência de que a confiança agora renovada é tudo menos um cheque em branco”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, prometendo “continuar a ser um Presidente de todos e de cada um dos portugueses, um Presidente próximo, um Presidente que estabilize, um Presidente que una, que não seja de uns, os bons, contra os outros, os maus, que não seja um Presidente de fação, um Presidente que respeite o pluralismo e a diferença, um Presidente que nunca desista da justiça social”.

Num discurso de 17 minutos feito no átrio da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, que terminou pouco depois da meia-noite, o chefe de Estado assinalou que foi reeleito com mais votos e maior percentagem do que em 2016, o que apontou como sinal de que os portugueses “querem mais e melhor em proximidade, em convergência, em estabilidade, em construção de pontes, em exigência, em justiça social, e de modo mais urgente em gestão da pandemia”.

“Entendi esse sinal e dele retirarei as devidas ilações”, acrescentou.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, o voto dos portugueses respondeu “à pergunta crucial acerca do que não querem e do que querem para Portugal nos próximos cinco anos”, e não querem, entre outras coisas, “uma radicalização e um extremismo nas pessoas, nas atitudes, na vida social e política”.

“Não querem uma pandemia infindável, uma crise económica sem termo à vista, um empobrecimento agravado, um recuo na comparação com outras sociedades, desde logo europeias, um sistema político lento a perceber a mudança”, considerou.

O Presidente da República elegeu o combate à pandemia como prioridade única imediata, mas nos objetivos para os próximos anos incluiu “refazer os laços desfeitos, quebrar as barreiras erguidas, ultrapassar as solidões multiplicadas, fazer esquecer as xenofobias, as exclusões, os medos instalados”, assim como “recuperar e valorizar todos os dias as inclusões, as partilhas, os afetos, as cidadanias esvaziadas pela pobreza, pela dependência, pela distância”.

Os portugueses “querem combate à pobreza, à desigualdade e à exclusão, querem sistema político estável, com governação forte, sustentada e credível, e alternativa também forte, para que a sensação de vazio não convide a desesperos e a aventuras”, prosseguiu, em tom de advertência.

“Querem que a democracia constitucional responda aos dramas e angústias dos portugueses, mas uma democracia que respeite a Constituição, uma democracia democrática, não uma democracia iliberal, ou seja, não democrática”, reforçou.

Marcelo Rebelo de Sousa reiterou o entendimento de que estas eleições serviram para “julgar o desempenho de quem se submetera ao voto como o responsável máximo do Estado e, nessa medida, da gestão da pandemia”, e congratulou-se com “a renovação da confiança” por parte dos eleitores, considerando que a sua votação “proporcionou inequívocas respostas”.

Nesta intervenção, insistiu que, no plano imediato, “tudo começa no combate à pandemia”, até porque “se a pandemia durar mais e for mais profunda, tudo o resto correrá pior”.

“É essa, continua a ser essa também a vossa, a nossa primeira missão: conter, primeiro, abreviar, depois, a pandemia, para que possamos passar definitivamente ao resto tão essencial que temos de fazer”, disse, manifestando-se convicto de que Portugal vai vencer este combate “custe o que custar”.

Na campanha para as eleições de domingo, quando enfrentou num debate a dois o presidente do Chega, André Ventura, Marcelo Rebelo de Sousa traçou uma linha divisória entre os seus valores e os do partido deste candidato, invocando Francisco Sá Carneiro, a Doutrina Social da Igreja, os papas Francisco e João Paulo II e a “preferência pelos pobres, pelos explorados, pelos oprimidos”.

“Eu sou da direita social, eu não tenho nada a ver com a sua direita. A sua é direita é uma direita persecutória, dos bons e dos maus”, afirmou, acrescentando que é “rigorosamente independente” na chefia do Estado e não um “líder de fação”.

No seu discurso de vitória, referiu-se uma vez aos seus adversários nestas eleições, sem nomear nenhum deles: “Para as senhoras candidatas e os senhores candidatos vai também o meu testemunho reconhecido, pelo seu devotado empenhamento cívico, em condições vividas em 46 anos de democracia”.

Antes, deixou “uma palavra de gratidão ilimitada” a todos os que contribuíram para a realização desta campanha eleitoral, “pelo serviço que prestaram à liberdade, ao Estado de direito e a Portugal”.