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Portugal participa em projeto ibérico de produção de linho da Adolfo Domínguez

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A presidente executiva (CEO) da marca de moda espanhola Adolfo Domínguez afirma que a fundação avançou com um projeto de três anos ligado ao linho, no qual Portugal participa.

Adriana Domínguez, filha mais velha do fundador, assumiu a liderança executiva em 2017 e, no início de outubro, marcou presença do primeiro desfile da marca espanhola em Portugal, mercado onde está há 32 anos.

Com a marca a comemorar 50 anos, a gestora que também lidera a Fundação Adolfo Domínguez destaca o projeto ligado ao linho que está a desenvolver, sendo que mais de metade do linho que o grupo compra vem do norte da Europa, ou seja, Normandia, Bélgica e Holanda.

“Assinámos [Fundação Adolfo Domínguez] um acordo com a Junta da Galiza e com uma fundação chamada Legados. Juntos, vamos impulsionar um projeto, que é um projeto agrícola, que será seguido por um projeto industrial” e “contamos também com a participação de Portugal — concretamente das regiões de Guimarães e do Porto”, relata.

Este projeto, tem, em primeiro lugar, “o objetivo de obter sementes”, já que é “bastante difícil” conseguir para o cultivo de linho, conta a gestora.

Depois, “faremos a colheita do linho e, na sequência, realizaremos o chamado ‘enriado'”, um processo industrial que serve para amaciar as fibras. “Como não existem fábricas na Península Ibérica capazes de realizar este amaciamento, estamos a trabalhar com Portugal e com a Junta da Galiza para criar uma infraestrutura que possibilite este processo”, adianta Adriana Domínguez.

Além disso, “já contactámos fabricantes de fio na região da fronteira com Portugal — dado que têm a indústria necessária — para que possamos viabilizar a produção à escala industrial”, prossegue, afirmando esperar que “tudo se concretize”.

Este é “um projeto de três anos e estamos atualmente no primeiro ano”, acrescenta.

Segundo a CEO, este projeto é uma das duas coisas “mais importantes na fundação” realizadas este ano, a par do lançamento do filme sobre o seu pai, Adolfo Domínguez, o qual foi realizado por ela.

“Confesso que tentei convidar dois realizadores para o projeto, mas não tinham disponibilidade. Como o meu pai é um homem muito complexo — fascinante, mas muito complexo —, decidi assumir eu própria a realização”, até porque “tenho experiência na área cinematográfica e senti que, de outra forma, ele não seria retratado com a devida fidelidade”, relata.

Quanto à marca Adolfo Domínguez, a CEO conta como os fornecedores portugueses têm qualidade, certificação e são importantes na produção dos seus produtos.

“Produzimos uma quantidade considerável em Portugal. Trabalhamos, principalmente, com fornecedores de calçado — concretamente, de ténis. Gostamos muito dos nossos fornecedores portugueses, pois produzem calçado de forma sustentável e oferecem produtos de altíssima qualidade”, sublinha a gestora.

Além disso, “estão muito avançados no que diz respeito à sustentabilidade. Nos nossos ténis, utilizamos materiais de qualidade, como algodão e pele, e as solas são feitas de borracha natural” e “tudo é certificado — o que é muito bom para nós, dado que somos uma empresa certificada como B Corp”, reforça.

No têxtil, a marca lançou no verão “uma linha de t-shirts feitas com algodão espanhol”. Ou seja, “o algodão foi cultivado nos arredores de Sevilha”, depois foi enviado para Portugal, onde foi transformado em fio. De seguida, o fio foi convertido em tecido e, por fim, o tecido foi transformado em t-shirts, detalha.

“Todo este processo ocorreu em Portugal, foi um excelente projeto e acredito que vamos repetir, uma vez que foi um verdadeiro sucesso. É um projeto ibérico, foi produzido, em grande parte, entre Espanha e Portugal”, reforça Adriana Domínguez.

Ainda em Portugal, destaca os “bons fornecedores de camisas e polos”.

Antes da pandemia, “não trabalhávamos tanto em Portugal, mas durante e após a covid, começámos a trabalhar muito mais. Percebemos que a grande vantagem de produzir em Portugal é o facto de a produção ser de um nível muito elevado”.

A qualidade “é muito boa e o país está bastante avançado em termos de sustentabilidade, é um diferencial competitivo que têm em relação a outros países”, considera.

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