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Chega quer ministro dos Negócios Estrangeiros “na rua”

© Lusa

O Chega voltou a defender a demissão do ministro dos Negócios Estrangeiros e antigo titular da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, alegando que “mentiu ao parlamento” sobre o ex-secretário de Estado Marco Capitão Ferreira.

“O que sabemos hoje é que João Cravinho mentiu e voltou a mentir na audição que teve no parlamento. A consequência parece-me evidente, que João Cravinho não tem nenhumas condições para se manter como ministro dos Negócios Estrangeiros porque enquanto ministro da Defesa falhou, mas também porque enquanto atual governante continua a mentir aos portugueses e mentiu ao parlamento”, defendeu o líder do Chega num vídeo divulgado à comunicação social.

André Ventura referia-se à notícia divulgada hoje pela revista Visão segundo a qual, entre fevereiro e março de 2019, Marco Capitão Ferreira assessorou a Direção-Geral de Recursos e Defesa Nacional no contrato relativo aos helicópteros EH-101 ao mesmo tempo que trabalhou para o gabinete do então ministro da Defesa, integrado numa alegada “comissão fantasma” que tinha como objetivo realizar um estudo.

João Gomes Cravinho foi ouvido no parlamento na sexta-feira, conjuntamente com a atual ministra da Defesa, devido às polémicas que envolvem Marco Capitão Ferreira, e não referiu que o ex-secretário de Estado tenha trabalhado diretamente consigo naquela altura.

“Estas notícias hoje conhecidas trazem-nos a certeza de que João Cravinho continua a esconder o essencial da relação que mantinha enquanto ministro da Defesa com Marco Capitão Ferreira”, considerou o presidente do Chega, acusando o ministro de uma “contínua mentira em que se enlaçou para procurar esconder os factos quer do país, quer da imprensa, quer dos partidos da oposição”.

André Ventura apontou que “só há duas soluções: ou João Cravinho sai pelo próprio pé, procurando assegurar uma última réstia de dignidade, ou o senhor primeiro-ministro tem que o demitir”, defendendo que “não há outra saída” porque “é o prestígio e a qualidade das instituições que está verdadeiramente em causa”.

“A idoneidade de alguém para ser ministro é, acima de tudo, dizer a verdade aos portugueses e ao parlamento ao qual responde. Tudo isso foi violado gravemente pelo ministro Cravinho e não há outra consequência que não seja a demissão que possa ser aceitável para nós”, insistiu.

Apontando que “a colaboração de Marco Capitão Ferreira com João Cravinho já vinha de trás”, o líder do Chega afirmou que “já teria existido um grupo de trabalho que, na clandestinidade e de forma absolutamente informal, trabalhava para João Cravinho”.

“Significa que João Cravinho desde o início teve noção e consciência e quis deliberadamente manter Marco Capitação Ferreira no âmbito de todas as assessorias e negócios agora considerados mais suspeitos pelas autoridades e denunciados pela imprensa”, acusou.

Marco Capitão Ferreira demitiu-se de secretário de Estado da Defesa no início de julho, no dia em que foi constituído arguido no âmbito da operação ‘Tempestade Perfeita’, suspeito dos crimes de corrupção e participação económica em negócio, e alvo de buscas, que também ocorreram nas instalações da Direção-Geral de Recursos da Defesa Nacional.

Marco Capitão Ferreira tomou posse como secretário de Estado da Defesa Nacional em março de 2022, desde o início do atual Governo, e antes foi presidente do conselho de administração da idD Portugal Defence, a ‘holding’ que gere as participações públicas nas empresas da Defesa – cargo que assumiu em 2020 e para o qual foi nomeado por Gomes Cravinho.

Na audição no parlamento, na passada sexta-feira, o antigo ministro da Defesa e atual ministro dos Negócios Estrangeiros assegurou que não indicou Marco Capitão Ferreira para a polémica assessoria prestada à Direção-Geral de Recursos da Defesa, remetendo a responsabilidade para o antigo responsável Alberto Coelho.

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