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Alemanha 2026, um ano eleitoral que está a mudar o mapa político

© Ricardo Silva / BOM DIA

2026 está a revelar, a nível eleitoral, uma Alemanha politicamente mais fragmentada e com uma consequência particularmente evidente – o crescimento eleitoral do AfD, partido da extrema-direita, que deixou de ser um fenómeno limitado a determinadas regiões e passou a constituir um dos elementos centrais da política alemã.

Os resultados das eleições revelam as profundas mudanças no comportamento eleitoral, no equilíbrio entre os „grandes partidos“ e, sobretudo no relacionamento entre os eleitores e as forças políticas tradicionais, nomeadamente CDU/CSU, SPD, os Verdes, FDP.

Mas vamos começar pelas 5 eleições estaduais.

O ano eleitoral começou em março no Estado de Baden-Württenberg. Os Verdes ganharam e em coligação com o CDU formam governo. No entanto o AfD duplicou o número de votos e com isso o número de deputados no Parlamento de Estugarda.

Na Renânia-Palatinado o CDU ganhou a eleição e governa com o SPD em forma de „grande coligação“. Também neste Estado o AfD mais do que duplicou a sua votação passando de 8,3% para 19,5%.

É interessante que depois de muitas reflexões dos partidos democráticos do „arco da governação“ e contra todas as previsões, nenhuma correcção nas grandes orientações estratégicas do governo central / federal foi feita. 

E por fim vem setembro com eleições estaduais na Saxónia-Anhalt, Mecklenburgo-Pomerânia Ocidental e Berlim.

Pode-se quase afirmar que na Saxónia-Anhalt e em Mecklenburgo-Pomerânia Ocidental foi um completo desastre eleitoral  para os partidos do centro democrático. O AfD ganhou as eleições; na Saxónia-Anhalt com um discurso xenófobo e apelativo ao ressentimento histórico enquanto em Mecklenburgo-Pomerânia Ocidental o discurso tenha sido mais „moderado“ mas mesmo assim não escondendo a sua matriz de extrema-direita.

A catástrofe eleitoral em Mecklenburgo-Pomerânia Ocidental não tem só a ver com o facto do AfD ter ganho as eleições – tem a ver com o resultado do CDU que com 4,9 % não tenha conseguido ultrapassar a fasquia de 5%, percentagem necessária para eleger deputados ao Parlamento Estadual. É a primeira vez que um partido fundador da República Federal da Alemanha não consegue entrar num Parlamento Estadual e cai de forma tão baixa no eleitorado.

Portanto a grande transformação no espectro político alemão é a dimensão da aceitação do AfD no eleitorado (considerado um partido de extrema-direita) tornando-o por isso uma força estrutural a ter em conta no presente e que num futuro próximo não deve ser menosprezado ou considerar a sua aceitação no eleitorado como simples voto de protesto.

Mesmo tendo ganho as eleições em dois Estados o AfD não irá governar tendo em consideração que nenhum partido democrático quer formar uma coligação. Com isto existe uma questão política que não pode mais ser ignorada – um partido que consegue atingir até 44% dos votos vai alterar por completo o funcionamento e a interacção de todo o sistema partidário.

A eleição para a Câmara dos Representantes de Berlim mostrou um outro resultado da polarização na política alemã. Aqui ganhou o „ die Linke“ (trad. A Esquerda) que governará numa coligação com SPD e Verdes.

Também em Berlim o AfD duplicou a sua votação não passando no entanto dos 16%.

A questão, agora mais do que essencial vai ser: – qual a resposta dos partidos democráticos a esta profunda mudança do eleitorado  

O partido democrata-cristão, CDU, enfrenta uma crise particularmente difícil, não só a nível eleitoral mas também estratégico: – até onde pode avançar com uma política ou discurso para a direita sem perder o eleitorado mais moderado ou conservador de modo a não ser canibalizado pelo AfD?

Também o partido social-democrata, SPD, luta com as suas próprias contradições. De região para região, de Estado para Estado há mais ou menos aceitação para a sua política. Na verdade, o problema de fundo é que o partido, considerado o representante da classe trabalhadora, do estado social e dos serviços públicos cada vez tem mais dificuldades em contabilizar essa identidade histórica em votos.

Quo vadis Germania? Talvez seja esta a questão essencial a definir. O AfD consolidou-se como força política de relevo; a fragmentação política aumentou. A previsibilidade do sistema político deixa de existir e passa para um sistema onde cada vez é mais difícil construir maiorias estáveis.

Cuxhaven, 21.09.2026

Alfredo Stoffel

Esta publicação é da responsabilidade exclusiva do seu autor.

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