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A gravidez sub-rogada

Segundo o jornal Expresso, os juízes do Tribunal Constitucional preparam-se para vetar um dos acto de maior amor e altruísmo que se pode conceder a alguém, a possibilidade de uma mulher oferecer o seu útero a outra para que existam mais mães e mais pais em Portugal. É um acto bonito e inspirador.

Para muitos será um acto contra-natura, que Deus não quis assim, que a natureza devia seguir o seu rumo sem interferência humana. Mas de facto, uma das vitórias da humanidade é essencialmente melhorar a natureza onde esta é mais frágil. Se é para isso, acabem-se com os medicamentos com os tratamentos, o homem e a mulher devem morrer quando ao ritmo do destino. É isso que queremos?

Devo dizer que sou e lutei pela despenalização da interrupção voluntária da gravidez, pela despenalização mas não pelo aborto grátis, e muito sinceramente não estou a ver porque é que o erário público tem que pagar o mesmo a não ser que haja deficiência nítida do feto ou risco de vida par a mãe. Também sou contra essas consultas em que uma equipa de médicos tenta dissuadir uma mulher de abortar, é menorizar a vontade dessa mulher, é fazer com que ela se sinta humilhada.

Na gravidez sub-rogada, que eu acho que deveria totalmente gratuita, são crianças a nascer num país que tem um déficit demográfico, são pessoas a serem felizes, são risos num país melancólico… e não vão aprovar?

Ok, deve ser anticonstitucional… Eventualmente será baseada a decisão numa Constituição que quando foi alterada pela última vez não previu a gravidez sub-rogada, nem sequer existia essa hipótese, era impensável essa dádiva da evolução da medicina! E portanto, tudo o que não esteja previsto na Constituição, é inconstitucional. É isto?

Eu não sei é pública a decisão de cada juiz do Tribunal Constitucional que vai votar contra a gravidez sub-rogada. Mas gostava que fosse, e espero que seja, que cada um deles dê a cara, tanto mais que são pagos para decidirem. Para sabermos quem impediu crianças de nascerem!

E lamento que Assunção Cristas que era da Pró-vida agora seja da Pró-nada. Mas o que é isto? Esta nega é uma grande vitória, é isso? Fica contentinha de uma criança não ter hipóteses de nascer?

Senhores, se o problema é constitucional, por favor alterem a Constituição com urgência! Deixem as crianças nascer.