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Timor à vista

Timor à vista, Díli no horizonte,
militar revolto com poesia na fronte,
cabelos soltos, pensamento em turbilhão,
baía de Díli, terra de sangue fumegante,
um raio de esperança brilhou nesse instante,
terra viril, quando serás Timor uma nação?

Aqui estou, triste exausto desta viagem,
lembro minha mãe, recordo sua linda imagem.
O futuro dirá quem será Timor do porvir,
quem libertará este povo do colonialismo?

Diz-me mãe o que ler nestes dois anos,
Não sei matar, dá-me vómitos,
muito pessoal falam de psico-social,
a mãe dos enganos.
Aqui não há Biblioteca de Alexandria,
o velho India não é a galera de Cleópatra,
aqui há lutas de galo, bananas e alegria.
Timor é um crocodilo e as árvores de sândalo.

Eu só conheço pai e mãe
mais esta rapaziada embarcada nos porões,
que estão aqui por interesses de aldrabões.
Diz-me que fazer nesta terra tão longe,
não sou comandante nem sou oficial.
Tenho vinte anos e não dou para monge,
diz-me mãe quem é afinal Portugal?!

Baía de Díli – 1969

JOSÉ VALGODE

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