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Sim, as mudanças estão aí e vieram para ficar!

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Os últimos anos têm sido de grandes mudanças a vários níveis. A necessidade de uma rápida adaptação face a uma pandemia globa, o envelhecimento da populaçãol e a entrada das novas gerações no mercado de trabalho estão a dar origem a uma avalanche de mudanças de valores e comportamentos que têm vindo a atingir as empresas. E este é apenas o início!

As pessoas perceberam que a vida é constituída por muitas esferas, além do trabalho. O próprio conceito de Sucesso mudou. As pessoas demitem-se porque não querem passar horas no trânsito para se deslocarem para o trabalho. As pessoas demitem-se ou recusam propostas, que no passado recente seriam irrecusáveis, porque preferem ter mais tempo de qualidade. Passaram a dar importância à sua saúde emocional e mental, pois perceberam que sem ela não conseguiriam ter o desempenho profissional de que são capazes. Perceberam que se perderem a sua saúde mental e física, não conseguem cuidar delas, do seu trabalho e de quem amam.

Tal como acontece com os consumidores, também os colaboradores procuram, cada vez mais, empresas e líderes que estejam alinhados com os seus valores e que agem de acordo com os mesmos. Sim, a ação passou a ter mais peso do que a palavra. Tal como os consumidores, também os colaboradores, se tiverem de escolher entre o que é melhor para eles e para as empresas, com certeza escolhem o que é melhor para eles.

Hoje, os colaboradores têm consciência de que o emprego para a vida acabou. Dão primazia às  experiências que o Trabalho lhes possibilita. Se o ambiente for propício à criatividade, à expressão de ideias, à defesa de causas ambientais e sociais, se proporcionar o reconhecimento e o desenvolvimento pessoal e profissional… podem considerar ficar. Nada é garantido… até porque vivemos numa economia global e hoje podem viver em Bali e trabalhar para uma empresa em Portugal ou no Canadá.

É a liberdade de escolha que impera. E é com esta liberdade de escolha que as empresas têm de aprender a lidar se querem manter os quadros, ter elevados índices de produtividade e resultados sustentáveis.

Não é só na permanência de quadros que estamos a ter uma mudança profunda. É no próprio estilo de vida. São cada vez mais as pessoas, de diferentes gerações, que procuram estilos de vida mais sustentáveis. Menos focados nos bens materiais. Mais focados na qualidade de vida.

Depois das suas necessidades básicas asseguradas, as pessoas procuram mais. Procuram uma vida com propósito. Algo que faça sentido para elas, de acordo com os seus valores e princípios. 

Liderar é perceber estas mudanças. Liderar é estar aberto a estas mudanças e abraçá-las como oportunidades para evoluir enquanto indivíduos, empresas e sociedade. E para liderar num mundo de  mudanças tão profundas é preciso, antes de mais, compreendê-las. Para isso, é essencial perceber a natureza humana. O autoconhecimento e a inteligência emocional nunca foram tão necessárias como hoje.

Afinal, a Felicidade é o desejo  de qualquer Ser Humano. Ainda que alguns tenham uma visão distorcida e obsoleta do que é Ser Feliz. E está tudo bem, pois aprenderam o conceito de Felicidade tendo por  base os bens materiais, o dinheiro e o poder.

É em busca dessa Felicidade e dos seus valores (dos seus, não aqueles que a sociedade nos quis passar) que cada vez mais jovens (e menos jovens) escolhem trilhar o seu próprio caminho. Com altos e baixos. Com desafios e conquistas. Verdadeiros a si mesmos e no que acreditam.

O foco passou a estar  numa cultura corporativa humanizada, centrada nas pessoas. De dentro para fora. Podem conquistar, inicialmente, as pessoas pelo com estratégias de marketing. Só que, tal como aconteceu com o greenwashing, o employer washing também acaba por ser percebido e expresso fora das quatro paredes, mesmo naquelas empresas que estão no ranking Best Places to Work. Já não dá para fingir. E se há alguma equipa tóxica deve-se perceber por que é que isso acontece. Afinal, somos todos Seres Humanos, com desafios pessoais, familiares e profissionais, com traumas e medos que nos condicionam e impactam quem está à sua volta.

Cada vez mais é visível o que se passa dentro das empresas no relacionamento dos seus colaboradores com os clientes. Como podemos ter um serviço ao cliente de qualidade, se internamente o modus operandi e o mindset teimam em ser obsoletos? Isto apenas para apontar um dos múltiplos aspetos que um cliente/consumidor mais atento percebe. 

Deve-se ter em mente que as empresas são feitas de pessoas e para pessoas, que colaboram umas com as outras. O lucro deixou de ser o único objetivo. O lucro é um meio para atingir vários fins. Colaboração, diversidade e inclusão deixaram de ser conceitos sociológicos que constam apenas no dicionário. Há que passar da teoria para a prática. E, sim, as ciências sociais são importantes para conhecer o passado, perceber o presente e prever o futuro.

Mas, afinal, como devemos acompanhar estas mudanças? O foco deve estar nas pessoas, nos relacionamentos. É primordial apostar no desenvolvimento pessoal e profissional. Acima de tudo, é vital que as pessoas sejam verdadeiras consigo e com os outros. Transparentes. Sejam líderes de si mesmos para serem, depois, líderes no mercado. A primazia está no SER.

Quando era professora, dizia sempre aos meus alunos: “Querem ser os melhores Relações Públicas do mercado? Então, ensinem as vossas empresas a cuidar dos seus colaboradores. Esses serão os melhores RP junto dos stakeholders. Esses serão os melhores RP para conseguirem os melhores profissionais para as empresas onde trabalham.”

Lembre-se de que apenas estamos a ver o reflexo de quem somos. E as mudanças ainda agora começaram. Com o avanço tecnológico que iremos assistir nos próximos anos e a presença de cada vez mais equipas multigeracionais na sequência do envelhecimento da população, mais e mais profundas alterações irão ter lugar. Será que os líderes corporativos estão preparados para os desafios?

Sandra Pedro

CPO AMMA Lab

Esta publicação é da responsabilidade exclusiva do seu autor.

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