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Reflexão sobre o ensino de português na Alemanha

O ensino da língua portuguesa na Alemanha torna-se um desafio cada vez mais complexo das Comunidades Portuguesas. Independentemente do nível, o português é língua materna dos filhos de portugueses residentes na Alemanha que aprenderam o português com os seus pais na infância. Não obstante há problemas no ensino de português que a diáspora portuguesa está a enfrentar na Alemanha. 

Por um lado, existem luso-descendentes que, em casa, falam português com os seus pais e que também vão às aulas de português que são apoiadas por associações de pais. Por outro lado, também existem casos em que os filhos das terceiras e quartas gerações de luso-descendentes já não falam mais a língua portuguesa.

Surgem questões como “O que fazer para fomentar o ensino da língua portuguesa em relação às gerações mais novas de luso-descendentes?” e “Como despertar o interesse e a motivação dos pais e filhos?”

É preciso lidar com os desafios ligados ao discurso que são visíveis ao nível institucional e é preciso também entrar em diálogo com as pessoas afetadas, que são principalmente os pais e os alunos luso-descendentes, para responder estas questões. 

No artigo “O papel de relevo da Língua Portuguesa para as Comunidades”, publicado na edição número 329 da Portugal Post (novembro 2021), Alfredo Stoffel afirma que o Estado português, segundo o Artigo 74 da Constituição da República Portuguesa (Ensino), tem de garantir o acesso ao ensino de português gratuito. Isto também inclui cidadãos portugueses que vivem em outros países. Como critica Stoffel, um dos assuntos mais discutidos e controversos é que alguns pais e alunos têm de pagar “propinas” para participar nas aulas de português. Além disso, há outros problemas como a falta de professores, problemas em relação a questões económicas e também a falta de empenho dos pais dos alunos luso-descendentes. 

Para melhorar o ensino de português na Alemanha é importante entrar em diálogo com os pais dos alunos luso-descendentes. O discurso sobre o ensino de português na Alemanha não devia ser somente um desafio das autoridades institucionais. É fundamental incluir as vozes dos pais, filhos e das associações para elaborar soluções para o problema, e para que haja, de facto, mudanças. Além do mais, é importante respeitar os interesses individuais dos participantes para conquistar os pais e motivar os alunos, como afirmou Manuel Campos na terceira conferência federal do Grupo de Reflexão e Intervenção da Diáspora Portuguesa da Alemanha e. V. que se realizou no dia 11 de dezembro de 2021 na escola Volkshochschule em Düsseldorf.    

Para que o ensino de português tenha mais êxito, é importante conhecer o contexto social dos alunos luso-descendentes. Faz sentido distinguir entre os alunos alemães que querem aprender o português por próprio interesse e os filhos de portugueses para cujos o português, mais além da ligação emocional, é um factor identitário. Em relação aos luso-descendentes que não aprenderam o português como língua materna, devia haver mais ofertas de cursos de português como língua estrangeira. Mas, antes disso, é importante despertar o interesse das próprias comunidades para que as medidas a tomar tenham efeito. 

Ademais, é importante valorizar mais a língua portuguesa como uma das línguas mais faladas do mundo. Através do português surgem novas oportunidades e é importante preparar as novas gerações, para possíveis trabalhos e estudos, no contexto de um mundo globalizado, o que também inclui carreiras profissionais em Portugal e outros países lusófonos. Por isso, além das aulas de português, deviam existir também mais possibilidades de estágios e intercâmbios académicos em Portugal e outros países lusófonos, para as Comunidades Portuguesas que vivem no estrangeiro. 

Nelson Pereira Pinto

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