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Portugueses lideram obras nas ferrovias moçambicanas

Moçambique vai iniciar um período de três anos e meio de obras ferroviárias e portuárias nas quais serão investidos um total de 3,2 mil milhões de dólares – cerca de 2,83 mil milhões de euros – para construir 639 quilómetros de linha férrea entre a localidade de Chitima, perto das minas de carvão de Moatize, passando por Doa e Mutarara, até chegar à foz do rio Macuse, onde serão construídos diversos terminais portuários.

A empresa que investe neste projeto é a Thai Moçambique Logística (TML), presidida pelo português Orlando Marques, e as obras de construção são lideradas pela Mota-Engil, que deverá sub-contratar empresas nas empreitadas de maior especialização, entre as quais se destaca a ponte sobre o rio Zambeze, entre Moatize e Chitima. “Será uma fase de intenso trabalho que durará até 2023, altura em que o primeiro comboio deverá iniciar o transporte entre Moatize e o porto de Macuse, para proceder ao carregamento do primeiro navio que será operado no novo porto”, comentou em Lisboa, ao Jornal Económico, o presidente executivo da TML, Orlando Marques.

Com 15 anos de atividade profissional em Moçambique, Orlando Marques sucedeu a José Pires da Fonseca, que lançou o projeto da linha de comboio e do porto de Macuse na perspetiva de uma operação de transporte de carvão para a multinacional Rio Tinto, entre 2016 e 2018. Depois, o projeto aumentou valências. Os 2,7 mil milhões de dólares (cerca de 2,39 mil milhões de euros) consagrados a infraestruturas têm agora objetivos que vão além do transporte de carvão. Um total de 1,89 mil milhões de dólares (ou 1,67 mil milhões de euros) serão destinados à linha de comboio.

Mais 810 milhões de dólares (cerca de 720 milhões de euros) vão para obras no novo porto de Macuse. E ainda haverá 500 milhões de dólares (cerca de 440 milhões de euros) para equipamento portuário e material circulante.

O porto de Macuse arrancará com capacidade instalada para operar 33 milhões de toneladas de carga por ano, mas pode ser aumentado até 100 milhões de toneladas. Por enquanto, a sede da TML está em Maputo, mas Orlando Marques diz que quando a empresa tiver atividade comercial a sua sede será transferida para Quelimane, capital da província moçambicana da Zambézia. A TML continuará o trabalho de José Pires da Fonseca, que desenvolveu, desde 2016, estudos de exequibilidade, a elaboração do principal contrato de concessão, bem como a base para o contrato de take or pay. No entanto, antes das obras de construção começarem, o Governo de Moçambique ainda terá de selecionar um novo acionista para a TML – Orlando Marques não comenta, mas o JE sabe que entre os candidatos há grupos chineses, indianos e fundos de investimento. Além da entrada do novo acionista, a TML terá de proceder ao reassentamento de 63 famílias – o que implicará um investimento de 10 milhões de dólares – para poder dar início às obras de construção da ferrovia e do porto.