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Poema bem quente

Poemas bem quentes, formosos e enlevantes
por mares e terras já dantes navegados
poeta amigo tu que me pões
as mãos nos quadris rijos e elegantes.

E me citas poemas de Camões
com histórias cruéis e de amor,
eu fico tiritando apaixonadamente
por mais poemas, robustos e juvenis .

E procuro a palavra que tenta
vibrar de doçura e delicia
Palavra de sangue que inventa
amor dor e esperanca .

Mas um poema ardente
pulsa mais num corpo juvenil
nunca se apaga da mente
e cheira a rosas com perfil.

Poema ardente intempestivo
com voz doce e afável
enérgico, feroz cor de anil
fica jovem e sempre vivo.

Assim é um poema ardente
como aves de suaves gorgeios
cantados por toda a gente
em searas de ternos enleios.

São os poemas bem quentes
colando seus lábios trementes
em bocas sedentas de beijos
fazendo rebentar corações.

daqueles que ainda estão vivos
soletrando poemas bem quentes
doces, embriagados mas nunca lascivos.

José Valgode

 

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