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Paula Machado Oliveira: Ouro para ela

Foi-me apontada como sendo um pouco louca.

Adianto já que o adjectivo mais não é que fruto da minha dificuldade vocabular, e sobretudo porque é dentre estes moldes que por estes dias vem sendo cumulada, carinhosamente, claro, um pouco por quem a conhece, com ela convive, é amigo, ou com ela trabalha.

Tem de facto, e por vezes um ar esgrouviado, mas é o mais atenta, o mais sorvedora possível. Sem deixar escapar esta ou aquela oportunidade para ouvir um potencial entrevistado, nem que seja para recolher trabalho futuro, não agendado.

Vi nos olhos dela um foco brilhante e escuro – mas delineados em aclive. Vi uma sensibilidade, uma ratice que ninguém mais pode ter.

Paula Machado Oliveira, já se lê, jornalista da RTP Internacional, singular, que encontrei no 3º Encontro de Investidores da Diáspora, em Dezembro imediatamente, em Penafiel.

A Paula foi agora agraciada com a Medalha Grau Ouro, pelo Secretário de Estado das Comunidades, aquando o 1º Congresso Mundial de Redes da Diáspora Portuguesa, no Porto, a 13 de Julho.

Merecidíssima.

A voz – o que deriva da radialista tradicional – não deixa, por isso, de ser maviosa. Nem o seu entusiasmo, a sua delicadeza, a sua intensidade com que nos fala, sempre eloquente, desmerecem da sua autenticidade.

Percebi eu que é solícita no apoio aos colegas, ainda que, por vezes, pareça distante. E todos lhe gabam a entreajuda enciclopédica.

Falcoa, atenta à sua presa, mas delicada, a captar para sustentar o seu múnus, com a mestria, empenho, e intensidade com que vive sarcedotisamente a sua actividade.

Lembro-me de ver as suas mãos rivalizarem à dicção tal a proficiência que põe na conversa à mesa, enquanto eu ensimesmado – ante figuras que não conhecia – me sentia melhor colocado na sua presença rigorosamente ao meu lado, no restaurante, de cujas dietas pantagruélicas ela já ouvira falar.

Enquanto me cruzei com ela naqueles dias, a sugestão de que queria trocar impressões, que viriam a ser adiadas além da partida, ficou por cumprir por mor da sua entrega ao trabalho, inviabilizando os contactos que ela mesma propora.

Tudo, agora, agraciado, com a comenda ao peito.

(Não pratico deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico)