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“O último cais” de Helena Marques

 Ficha técnica

Título – O último cais

Autora – Helena Marques

Coleção – BIS, Livros de Bolso

Editora – Leya

Páginas – 189

 

Opinião

É a primeira vez que leio um romance desta autora. Aliás, antes de ter partilhado leituras, no passado mês de agosto, com algumas colegas (ver  aqui), não sabia da existência desta romancista ligada ao jornalismo e à bela ilha da Madeira. Partindo então da sugestão de uma dessas colegas, adquiri este livrinho de bolso e só agora o li.

Num espaço de quatro dias, recuei ao final do século XIX e percorri as ruas e espaços da capital madeirense, entrei em casas de abastadas famílias e compreendi um pouco melhor a umbilical ligação que amarra os madeirenses àquelas encostas verdejantes, a tradições e rituais, a um clima deliciosamente ameno e ao mar. A um mar sem fim que apela ao desconhecido, ao soltar das referidas amarras, a uma por assim dizer claustrofóbica vontade de evasão e a uma necessidade visceral de regresso, de atracar ao cais, de retorno àquele punhado de terra que enfeitiça, que pertence a portugueses, a ingleses e a todos que, de passagem, aí lançam a sua âncora e não mais de lá saem.

As personagens que habitam as 189 páginas de O último cais são o espelho de tudo isto. E de algo mais. Marcos, a personagem masculina que percorre toda a narrativa cativou-me desde as primeiras palavras que o narrador lhe dedicou. Homem atraente, loucamente apaixonado pela mulher, revela nos seus atos a essência do insular que sente o apelo do mar e que não controla a urgência de evasão. Por isso, de tempos a tempos, embarca e lança-se a uma conquista muito sua do que está para além da sua ilha natal.

Revela ainda ser um homem atento aos outros, especialmente a Raquel, o grande amor da sua vida, com quem partilha cumplicidades, risos, olhares, silêncios, prazeres e entendimentos. A história dos dois aquece-nos, aconchega-nos como uma manta quentinha e exemplifica o que todos nós buscamos, sejamos homens e mulheres do final do século XIX, sejamos homens e mulheres do século XXI.

A obra está dividida em capítulos todos eles encabeçados por um título que, a maior parte das vezes, é apenas o nome de uma personagem, sobretudo de uma personagem feminina. Numa sociedade enclausurada num punhado de terra no meio do oceano, cujas tradições, rituais, preconceitos e religião condicionam os atos, os pensamentos e os sentimentos de todos, as vidas de Raquel, Luciana, Catarina Isabel, das manas Marta e Maria, de Constança e Clara desfolham ante nós e fazem-me sentir orgulho no sexo feminino. A valentia e força de carácter com que estas mulheres decidiram o seu destino, cortaram as amarras que as prendiam a um cais castrador são o que de melhor habita nesta obra que, aparentemente simples, nos envolve com estas histórias que vão passando de geração em geração e vão fortalecendo as mais recentes e as vindouras.

O estilo de Helena Marques é assim acolhedor, com laivos de doçura, de fragilidade, de sedução, de força e valentia. Como o são as suas personagens. Como o somos nós, as mulheres. Reúne apontamentos históricos, faz-nos calcorrear as ruas íngremes do Funchal, aquece-nos com o seu clima ameno, obriga-nos a olhar o mar, a devanear na sua imensidão e autoriza-nos a conhecer, a saber um pouco mais sobre a Madeira e os seus habitantes.

Gostei da minha estreia no mundo das letras desta autora. Gostei da sua suavidade, que me aconchegou nestes dias invernosos e me manteve relaxada e bem comigo mesma. Quero voltar. Quero experimentar outra vez. Porque Helena Marques cumpriu e isso é o melhor.

NOTA – 08/10

Sinopse

Plano Nacional de Leitura

Livro recomendado para a Formação de Adultos, como sugestão de leitura.

 

«O Último Cais é um texto envolvente, sedutor, pela sua aparente simplicidade. Pela sua beleza. Pela sua força, tecida de pequenas fragilidades, de pequenas fragrâncias de pequenas cintilações musicais…» Maria Teresa Horta

 

in http://osabordosmeuslivros.blogspot.pt/

Esta publicação é da responsabilidade exclusiva do seu autor.

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