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O português que ajuda as prisões suíças a serem mais justas

Leonel Gonçalves é mestre e doutor em Psicologia da Justiça pela Universidade do Minho. Vive em Zurique onde conduz estudos que ajudam juízes, políticos e diretores prisionais suíços a adotarem medidas mais justas e eficazes.

Em entrevista à universidade onde foi formado, Leonel Gonçalves explicou que o seu interesse pela psicologia e pelo estudo do ser humano começou no 12.º ano, durante as aulas de Psicologia.

“Achava fascinante o estudo do comportamento humano. Nunca me tinha sentido tão motivado para aprender. Sentia também que tinha vocação para essa área porque tinha a melhor classificação da turma, o que não acontecia noutras disciplinas”, diz Leonel Gonçalves.

Foi em 2014 que fez as malas e mudou-se para Zurique sem dominar o alemão. O que o levou até à Suíça?
Uma oferta de emprego. “Durante o doutoramento, contactei por e-mail o diretor da equipa de investigação do Departamento de Justiça e Assuntos Internos do cantão de Zurique para lhe fazer uma pergunta sobre um estudo que ele tinha publicado”, explica Leonel Gonçalves. “Eu queria incluir parte desse estudo numa meta-análise sobre fatores associados às infrações disciplinares e ao uso de serviços clínicos nas prisões. Quando terminei a tese, voltei a contactá-lo para lhe perguntar se aceitaria ser meu orientador na candidatura a uma bolsa de pós-doutoramento na Universidade de Constança, na Alemanha, onde era professor. Foi aí que ele me falou de uma vaga de estagiário disponível para a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais de Zurique, na equipa que ele dirigia. Reservei um voo e vim à entrevista de emprego. Assinei contrato no mesmo dia. Nunca tinha pensado viver neste país”, conclui o português.

Leonel Gonçalves gosta de viver na Suíça. “A natureza é fantástica, o país é muito limpo e organizado, as infraestruturas e os serviços públicos são ótimos, existe diversidade linguística e cultural e a qualidade de vida é superior à maioria dos países”. Contudo reconhece que “a adaptação não foi fácil. Não falar alemão foi uma grande dificuldade para compreender os documentos oficiais e comunicar com os nativos. Além disso, as pessoas tendem a ser mais reservadas do que em Portugal, o que torna difícil fazer amigos”.

Apesar da paixão que nutre pela Suíça, o português gostaria de regressar dentro de alguns anos e “contribuir para este país que tanto investiu em mim, através de bolsas e subsídios. Adorava fazer investigação e lecionar Psicologia Forense e/ou Criminologia. Infelizmente, as vagas são poucas. Como tal, não tenho um plano definido”.

#portugalpositivo