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Novo filme da Disney tem mão portuguesa

O artista luso-americano Afonso Salcedo é um dos responsáveis pelas luzes e sombras do novo filme animado da Disney, “Encanto”, que se estreia nos cinemas a 25 de novembro e tem música de Lin-Manuel Miranda.

A viver nos Estados Unidos há 17 anos, o artista de iluminação trabalhou na longa-metragem dos Walt Disney Animation Studios durante cerca de oito meses.

“Foi realmente dos projetos mais desafiantes [em] que alguma vez trabalhei”, disse à agência Lusa Afonso Salcedo, explicando que uma das razões para isso é a vibração colorida das imagens.

“Na cultura colombiana, em que nos inspirámos para este filme, a cor é muito importante, na arquitetura, nos personagens, na roupa”, descreveu. “A cor enforma muito as emoções na história, por isso à medida que a emoção narrativa da história se altera durante o filme, as cores também se vão alterando”.

Como artista de iluminação, Afonso Salcedo fez parte da equipa responsável por trazer as emoções e a narrativa emocional do filme de forma visual, posicionando luzes, criando sombras, contraste e cor. Ou seja, tudo o que está relacionado com a imagem final que a pessoa vê projetada no ecrã quando vai ao cinema.

“É um desafio enorme como artista manter a espinha principal da história em termos de cor para conseguir fazer sentido no final, para não se perder e continuar um fluxo normal”, acrescentou. “Como [o filme] tem doze personagens principais, é um desafio ainda maior que o costume, porque é um mundo gigantesco e isso cria outros problemas”.

Inspirado na Colômbia e realizado por Byron Howard, Jared Bush e Charise Castro Smith, “Encanto” retrata a família Madrigal e a sua casa mágica nas montanhas colombianas, apresentando uma explosão de cor e movimento que tornou a iluminação laboriosa.

“É uma colaboração constante durante meses para conseguir chegar ao produto final”, detalhou Afonso Salcedo. “Às vezes nem há referência, porque nos chegam momentos únicos de uma sequência e não há uma ideia geral do que deve ser feito e tenho eu próprio de criar essa referência e tentar discutir como fazer, se com mais ou menos contraste ou saturação”.

O produto final, considerou o artista à Lusa, “é dos filmes mais emocionais e importante” que a Disney produziu desde há muito tempo.

“É das histórias mais incríveis que fizemos, porque traz uma cultura diferente e uma diversidade enorme a cinema de animação, o que é raro acontecer, infelizmente”, indicou Salcedo.

Frisando que a Disney está a fazer um esforço grande para contar histórias de outras culturas e outros países, o artista realçou a importância de trabalhar neste tipo de películas.

O filme explora a forma “como nós nos vemos, a nossa identidade, como crescemos em família”, disse. “A mensagem do que nós trazemos durante a nossa vida é muito importante, principalmente agora no mundo em que vivemos, que é tão caótico”, considerou.

“Foi muito emocional trabalhar neste filme e notar que a inspiração da Colômbia, que trazemos neste filme, é muito universal. Há muitas coisas semelhantes ao nosso próprio país e à cultura portuguesa”, disse à Lusa.

“Ver como essa história de família foi criada por este filme trouxe-me muitas memórias”, continuou, afirmando que a família “pode ser biológica ou escolhida” e que a importância da família “é bastante grande na cultura portuguesa”, mais até que nos Estados Unidos.

Segundo a sua visão, a aposta da Disney num filme com estas características, que incluiu pesquisa extensiva dos criadores na Colômbia, é um sinal positivo da evolução dos tempos.

“Uma das coisas mais importantes é poder ver um filme com personagens de diversas tonalidades de cor de pele e culturas que de outra maneira não teriam sido reconhecidas num ecrã de cinema”, sublinhou.

“Há um despertar que está a acontecer, não só nos Estados Unidos mas na indústria do cinema em geral”, continuou. “A Disney tem um esforço criativo para trazer estas histórias diversificadas, outras culturas e mostrar coisas que antes não se mostravam”.

No seu entender, “é um momento mesmo muito importante para estar agora no estúdio e conseguir trazer este tipo de histórias que não teriam sido feitas há cinco, dez anos”.

Salcedo, que vive em Los Angeles e já tem outros projetos Disney em vista, disse à Lusa estar contente por trabalhar neste momento da indústria e conseguir trazer esta atualização de cultura, de diversidade e de histórias “que vão influenciar gerações a seguir”.

Formado em Ciência da Computação pela Universidade de Southampton e Imperial College, no Reino Unido, Afonso Salcedo vive nos Estados Unidos há 17 anos. Do seu currículo constam projetos em estúdios como a Pixar, DreamWorks e Disney, incluindo os recentes “Frozen II” e “Raya e o Último Dragão”.

#portugalpositivo