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Nascente

Chegaram devagar no silêncio de um entardecer longínquo.
Chegaram simples, imaturas, traziam com elas a vida vivida, o mágico timbrado dos sinos da igreja.

Falavam de saudade, de ternura, falavam de memórias e de segredos guardados.

Foram longos os caminhos por onde se perderam.
Foram a nascente de um rio onde corriam histórias antigas, amores inacabados, coragens vencidas.
Foram a alma e a cor a transbordar poesia. Foram a coragem de quebrar barreiras e medos.
Surgiram do mais profundo abismo.
Foram fiapos de luz a iluminar o útero fecundo e acolhedor do poema.

De onde brotava a nascente das palavras? Questionava-se o poeta…

Nasciam dessa inquietude imensurável de descrever o invisível, o intocável.
Nessa vontade imensa de criar beleza em terrenos férteis de desalento e desencanto.

Fizeram caminho e caminhada, nascente, rio e enseada.
Fizeram-se mundo!
Deram voz às sombras mais negras e opacas.

Foram, sede de saber, saciada!

São Gonçalves

 

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