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Mónica Ferro: a portuguesa que olha pela população mundial

A diretora do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) em Genebra é portuguesa e chama-se Mónica Ferro. Com a sua base em Genebra, Ferro, de 46 anos, foi professora de Relações Internacionais no ISCSP-Universidade de Lisboa, foi deputada da Assembleia da República, onde foi vice-presidente da bancada do PSD e coordenadora para as questões de população e desenvolvimento, e foi vice-presidente do Fórum Europeu de Parlamentares sobre População e Desenvolvimento.

Mónica Ferro é a líder máxima do Fundo da População em Genebra e tem responsabilidade global pela gestão das relações do Fundo com todas as agências da ONU, missões diplomáticas permanentes e organizações internacionais em Genebra. O Fundo tem seis escritórios com a função de ligação: para além de Genebra, estão em Addis Abeba, Bruxelas, Copenhaga, Tóquio e Washington.

A portuguesa declara-se otimista nas questões ligadas à população, e diz que avaliação do progresso dos últimos 25 anos é positiva: “se olharmos para a História, vemos que é possível construir um mundo com mais dignidade e mais direitos humanos para todos. Sabemos aquilo que é preciso fazer. A mensagem é: há muito para fazer, mas nós sabemos aquilo que é preciso fazer.”

Durante o encontro em Nova Iorque, estão a ser avaliados os progressos no Programa de Ação adotado na Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, que aconteceu no Cairo, Egito, há 25 anos. A ONU calcula que a população mundial, estimada em 7,7 bilhões em 2019, aumente para 9,7 bilhões em 2050. Mónica Ferro explicou a importância de acompanhar esta evolução: “não podemos projetar um sistema de ensino, nomeadamente o número de escolas que são necessárias, e o investimento em infraestruturas e recursos humanos se não tivermos uma estimativa razoável daquilo que vai ser a evolução da população. Se há 200 anos podíamos dizer com uma grande tranquilidade que a taxa de fertilidade no mundo era única, e era alta, hoje temos países com desempenhos bastante distintos.”

Mónica Ferro diz que o importante é que “cada indivíduo e cada casal tenha exatamente o número de filhos que quer ter” e que “haja sempre um foco de direitos humanos nestas estimativas.” A especialista acredita que “estas estimativas são sobre pessoas e as pessoas têm de estar no centro dos processos de desenvolvimento.”

Na segunda-feira, na abertura do encontro, a vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, destacou duas áreas prioritárias, o género e a educação. “São as áreas que nos permitem, não só, os maiores retornos, como são as áreas em que o investimento é mais produtivo, é mais focado, e tem um efeito multiplicador. Apostar na educação significa que vai poder potenciar os resultados de quase todos os ODSs. A igualdade de género é a ferramenta para a emancipação de mais de metade do nosso planeta. Nós sabemos que investir nas mulheres é não só benéfico para as mulheres, como também tem um efeito multiplicador nas suas próprias famílias, comunidades, sociedades, para o planeta”, defendeu Mónica Ferro.

Enquanto a esperança média de vida aumentou em todas as regiões do mundo, atualmente, a diferença entre as regiões mais e menos desenvolvidas é de 15 anos. Os níveis de mortalidade infantil na África subsaariana caíram de 180 para 78 mortes por cada mil nascimentos, mas a taxa de mortalidade infantil na região ainda é 15 vezes maior do que a das crianças nascidas em regiões mais desenvolvidas.