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Mais um massacre

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Mais um massacre cometido por um supremacista branco inspirado pela teoria do “Grand Remplacement”. 13 pessoas alvejadas, 10 mortas, maioria negras. Tenho a impressão de me estar sempre a repetir, mas isto continua e não está de todo a ser levado a sério, muito pelo contrário, passou a ser teoria mainstream. Esta teoria é hoje alegremente propagada nos EUA através de pessoas como o Tucker Carlson da Fox News, em Portugal tivemos o José Pinto-Coelho, candidato “legalizado” da extrema-direita, a falar diretamente desta teoria na RTP num debate, em França então é um festival encabeçado pelo Eric Zemmour.

E quando não falam do GR, passam a mensagem de forma mais subtil através de teorias e medidas sobre a natalidade. Esta teoria tem de ser legislada, é pura incitação ao ódio racial. Leva ao terrorismo. Neste caso pessoas assassinadas só por serem negras.

O manifesto escrito por este supremacista branco não podia ser mais explícito, talvez só mesmo quem considerou no Tribunal da Relação que a NOS do Machado não é racista é que podia ler ali outra coisa. No manifesto este terrorista racista e antissemita diz ter sido radicalizado on-line, interessou-se pelas estatísticas sobre natalidade e teme o genocídio branco, que a “sua raça” seja substituída, tudo é organizado como é óbvio por judeus, e tem como modelos outros terroristas supremacistas brancos.

Como agora faz parte, já instrumentalizaram este caso para a questão da Ucrânia/Rússia. Há por aí foto do assassino com um símbolo nazi clássico que também é utilizado na indumentária de neonazis ucranianos, tal como é utilizado por outros grupos neonazis no mundo. Por enquanto nada o liga diretamente aos neonazis ucranianos. Mas mesmo se ligasse, nada justifica esta invasão de Putin. A luta essencial contra o neonazismo não se faz desta forma e ainda menos por fascistas que também têm a sua cota-parte de neonazis.

Repito: esta teoria não pode continuar a ser difundida como algo de inofensivo. É uma teoria extremamente tóxica e eficaz de incitação ao ódio racial e à passagem ao ato terrorista.

Luísa Semedo

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