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Jardim dos Imortais

As minhas mãos trémulas
no vão das tuas costas o vento suão
o ancão em suspensão a nascente
nos teus seios o garrão a poente
a lua a dançar na ria nua
os teus braços nos meus
àquela hora o deleite e a demora
o esplendor e a dor que goza
eu em ti por ti por nós
em nós tantos que desfizemos
para queimar a corda agora
e deixar aportar os navios
aqui no lanço do relâmpago fugaz
do farol lá ao longe noutra ilha
a dardejar e a fulminar insistentemente
de luz e volúpia o horizonte azul-cinza
e o teu corpo a deixar-se fecundar
pela via láctea das minhas constelações
que desejam muito mais do que apenas
espraiar-se na orla marítima perfeita
dos teus lábios perfumados
como violetas nocturnas
abrindo felizes nos meus beijos.

Hesíodo tinha razão
o jardim das hespérides é aqui
e as maçãs de ouro
estão todas por apanhar, meu amor
para nos tornarmos imortais.

JLC25022020