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Helena Sarmento em azul muito claro

1) No final do ano uma amiga falou-me de Helena Sarmento, uma jovem fadista que quer afirmar-se no mercado da Diáspora muito legitimamente porque qualidade, singularidade, de uma rapariga de cabelo encaracolado tem.

Tive a honra de receber o discozinho “Lonjura” com a competente dedicatória. Helena não é uma Helena qualquer. Helena é Helena Sarmento, uma rapariga linda, doce e delicada. Obrigado pelo disco. A questão era onde ouvi-lo. Um dia lembrei-me que podia ouvi-lo no meu carro e a oportunidade não poderia ter acontecido em melhor ambiente, caramba! Ía ao hospital para os lados da terra de onde Helena é natural (Lamego).

Algo inédito em mim – ter um artigo em alinhamento, porque escrevo sempre espontâneo. Pois. À porta do hospital acabei de ouvir a Helena Sarmento que me acompanhara na viagem e muitos arrepios me causara.

Pois sim! Fui obrigado a puxar de um papel e um lápis! Sim. Um lápis. (Quase já não usei lápis na escola)!

Um lápis como se se pudesse reescrever – mas não. Este escopo, este cinzelado é estigmado.

– Voz límpida e serena (não posso fugir ao lugar comum) remete-me para um telúrico alado, verdejante. Límpido, mesmo. Muito claro.
Sem ser azul – este azul é diferente, não tem cor.
Helena tranquila.
Helena não chega a voar. É ela mesma o voo. Helena está acima. Colhi – senti isto de imediato, assim que o CD começara a tocar.

Noutro dia Helena voltou a acompanhar-me na viatura. E foi assim uma fábula duma Helena Sarmento, um vozeirão, um corpo de voz e tanto – e umas letras tão a ter em conta…

O “Fado Jurídico-Criminal”, a faixa 6 de “Lonjura”, em especial, ainda hoje me condena a manter intocável o disco no aparelhómetro do automóvel.

Helena Sarmento esteve na Casa da Música, no Porto, dia 12 de Março para apresentar aquele álbum. Diz que cumpre um sonho. Eu digo merecido.

Helena Sarmento há dez anos que se dedica quase em exclusivo à sua carreira. A discografia é “Fado Azul”, apresentado em 2011; em 2013 apresentou “Fado dos Dias Assim” e “Lonjura” em 2018 vem confirmar a crítica especializada.

2) Por fim, Helena Sarmento é membro da Associação José Afonso, onde é minha confreira. Forte admiradora de Zeca, para o celebrar vai levar a efeito o espectáculo “Liberdade, Liberdade” no próximo mês em que se celebram os quarenta e cinco anos da Revolução dos Cravos e o nonagésimo aniversário natalício do saudoso Zeca.

Zeca há-de alumiar-nos.

(Não pratico deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico)