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Guerra beneficia setor do turismo português

A “Envolvente Empresarial – Síntese de Conjuntura” de outubro permite destacar dinâmicas distintas nos bens e nos serviços ao nível dos resultados do comércio internacional.

As exportações portuguesas de bens estão a crescer, em termos nominais, a um ritmo superior ao esperado no período de janeiro a setembro (taxa de variação homóloga, tvh, de 25,6%, ainda mais do que a recuperação de 18,3% registada no conjunto de 2021; dados do INE e cálculos AEP), considerando a difícil conjuntura de guerra na Europa. 

Se, ao nível do saldo comercial, a guerra na Europa tem beneficiado os serviços (via turismo) e prejudicado os bens, o efeito poderá começar a atenuar-se em 2023 – se o abrandamento económico no exterior penalizar o afluxo de turistas a Portugal e/ou a despesa média por turista –, antes de se reverter totalmente, quando ocorrer o desejado fim da guerra, que para já não está à vista, infelizmente.

Os contributos para essa progressão são variados em termos de produtos (e setores associados), destacando-se os Combustíveis e óleos minerais (tvh de 84,7%, dando um contributo de 5,1 pontos percentuais, p.p., para a tvh de 25,6% das exportações globais), a Madeira, cortiça, pasta e papel (33,8% e 2,5 p.p.), os Químicos (41,4% e 2,5 p.p.), os Metais (26,4% e 2,4 p.p.), as Máquinas e aparelhos (15,9% e 2,3 p.p.), os Animais vivos, produtos animais e vegetais, e gorduras (31,4% e 2,1 p.p.), o Material de transporte (13,7% e 1,8 p.p.) e os Plásticos e borracha (20,2% e 1,6 p.p.), isto considerando apenas os contributos acima de 1 p.p., pois houve subidas nos demais grupos de produtos.

Contudo, é preciso não esquecer que as importações de bens cresceram ainda mais em termos nominais (tvh de 36,7% até setembro, com um contributo de 13,5 p.p. do grupo de Combustíveis e óleos minerai, onde a tvh foi de 123,6%), levando a uma deterioração significativa da balança comercial de bens (agravamento do défice em 9,8 mil milhões de euros, M€, para 22,6 mil M€) e da taxa de cobertura (para 72,2%, que compara com 78,6% no período homólogo e 76,5% no conjunto de 2021).

As exportações de serviços registam um crescimento nominal ainda maior que os bens, de acordo com os dados mais recentes do Banco de Portugal (tvh de 79% no período de janeiro a agosto), com contributo predominante das viagens e turismo (tvh de 155,6%) – dado o seu peso também predominante e a dinâmica superior à das restantes rubricas –, que têm beneficiado da imagem de destino seguro de Portugal, longe do cenário de guerra. No caso dos serviços, contudo, as importações têm um valor inferior ao das exportações e a progressão foi bem inferior (41,8% até agosto), significando que o excedente da balança de serviços está a aumentar, contrariando a evolução desfavorável nos bens. 

De notar ainda que a progressão das exportações é assinalável mesmo em termos reais (a preços constantes), descontando o efeito da inflação, considerando os dados mais recentes das contas nacionais, até ao 2º trimestre. As exportações globais em volume aumentaram 18,6% em termos homólogos no conjunto do 1º semestre, com variações de 10,2% nos bens e 41,0% nos serviços.

A Envolvente Empresarial – Síntese de Conjuntura é uma publicação mensal com os principais dados e indicadores relativos à atividade económica, desenvolvida conjuntamente pela AEP, AIP e CIP. Inclui duas separatas de indicadores, uma para Portugal e outra para a Área Euro.

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