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Echarpe como protecção individual

Tenho o prevalente hábito de pensar que, por exemplo, um gole de água é diferente de um outro gole de água. O ambientador “A” é diferente do ambientador “B”.

Podemos pensar, de resto naturalmente, que é a mesma coisa, que as diferenças são mínimas. Mas os goles, como o ambientador “A” e “B”, são mesmo diferentes. Cá vou eu a pensar de mim para mim que é igual, mas logo o meu sub-consciente me diz que não é. Calçar um par de meias é diferente do que calçar o outro do mesmo pacote.

No que respeita a máscaras por causa da Covid – 19 ocorre-me a mesma filosofia: o uso da máscara é diferente de não usar. Nem que seja um pedacinho (quase) não sentido.

Um pedacinho é sempre diferente. Logo, pensei, que a Direcção-Geral de Saúde, poderia nem recomendar maciçamente o uso da máscara, mas nunca desaconselhar o uso.

Na sexta-feira o programa “Sexta às 9”, da RTP 1, vem dar conta que afinal o uso das máscaras de protecção individual tem efeitos positivos. E justifica-o em determinado contexto, mostrando países onde mais se usam as máscaras e apresentam menor número de infectados. Vide programa.

Antes de todo este debate em torno das máscaras, eu já havia pensado trazer a este espaço a minha opinião, reactiva sobre as queixas de profissionais de alguns sectores, sobretudo através das vozes das Ordens profissionais ou dirigentes sindicais, que se queixam de falta de máscaras, viseiras, e outros objectos fundamentais na protecção individual. Material que eu tanto lamento faltar.

Só que… estamos ante uma pandemia. Estamos num Estado de Emergência.

A agitação, a pressão permanentes propiciam todas estas inquietações.

Quando se faz simulacros tudo funciona na perfeição. No fim vêm as doutas doutrinas congratular-se ufanas, clamando sucesso e preparação para outras quedas do Carmo e da Trindade.

Só que um simulacro não é a realidade, não é o verdadeiro – não é “o teatro de operações.”

Antes das justérrimas exigências por parte dos vários profissionais de saúde, de protecção e de defesa, pela voz das Ordens ou Sindicatos eu… recordo… o enfermeiro xyz-xyz que tinha um triplo.

Um triplo era mais um emprego do que quem tinha um duplo. Vejamos lá!!! O duplo era muito prevalente na classe da enfermagem há duas décadas.

Andava xyz-xyz a construir uma vivenda que se dizia com as melhores condições e requinte. Xyz-xyz invariavelmente usava a bata surrada. Entrava e saía com ela. O enfermeiro nem lavava a cara. Frequentemente via-se as remelas.

Xyz, seguro pelo contrato efectivo no hospital público, chegava a sair meia hora mais cedo ou atrasado na entrada ao serviço, porque não poderia abusar nos outros estabelecimentos de saúde, enquanto precário.

Se nos turnos de dia no hospital público um paciente o chamasse, não era garantido que atendia, mas se por fim de insistentes chamadas, ia desagradado, a verberar desagrado e ofensas, mas apenas se outros colegas não fossem mesmo, além de avisados que estavam.

Se chamado de noite, era sagrado que não ía. Não demorava… Não ía mesmo.

Xyz-zyz, ele mesmo, dizia que não entendia porque se trocava de toalha: “hoje limpamos de um lado, amanhã do outro, no terceiro dia voltava ao primeiro lado”.

Ora o que venho eu dizer com isto?! Nestes casos – que pese actualmente – não sejam prática, não se punha odem naquilo. O mesmo que dizer que há que ser ponderados e fazer as devidas ilações.

(Não pratico deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico).

 

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