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Dia do “Climate Alarm” teve pouco impacto em Portugal

“Gás, carvão, petróleo debaixo de solo” gritaram sábado cerca de 50 manifestantes, em Lisboa, em defesa do clima, em frente da sede de uma empresa de exploração de combustíveis fósseis com projetos em Portugal.

O protesto começou cerca das 13:30 na avenida da Liberdade. Decorreu ao som do ritmo alegre dos tambores tocados por alguns dos ativistas que se juntaram à marcha do clima convocada para 150 cidades, entre os quais voluntários da Climáximo, SOS Salvem o Surf, Extintion Rebellion, Diem 25 e Climate Reality Project.

Além das palavras de ordem, como “não ao furo, sim ao futuro” – uma alusão aos projetos da Australis para a zona centro do país –, os manifestantes traduziram também o móbil deste protesto em cartazes com dizeres como “mar a avançar e os políticos a cagar”, ou “send goodvibes, not emissions” (“enviem boas vibrações, não emissões”), “we will always not have Paris” (“não teremos sempre Paris”) e “furem a vossa prima”.

O momento alto do protesto aconteceu com uma performance durante a qual a sede da Australis em Portugal e uma torre simbólica representando a exploração petrolífera, encimada por um cravo, foram rodeadas com uma linha vermelha tricotada.

“A Australis quer fazer dois furos, em Aljubarrota e Bajouca, no próximo ano e a nossa intenção, ao rodear a torre com linha vermelha, é dizer que não queremos isso”, explicou o ativista da Climáximo João Costa, adiantando que o principal propósito da manifestação é apelar para a ação climática, pedindo aos líderes mundiais para que adotem medidas contra as emissões de gases com efeito de estufa.

Ana Matos, de 40 anos, veio também a avenida da Liberdade “pedir ação” e mostrar o seu comprometimento com a defesa do clima, acompanhada dos filhos Daniel e Alice que quiseram levar um cartaz para mostrar o seu apoio à preservação do ambiente.

“Não há planeta B”, lia-se no cartaz pintado pelas crianças.

Maria João Justino Alves, da SOS Salvem o Surf, salientou que “no contexto atual não faz qualquer sentido estratégias de investimento e políticas de curto e médio prazo alinhadas com formas de produzir e fontes de energia que têm 90 anos de existência”.

A ativista considerou que se “as empresas de energia que querem investir em Portugal devem investir em energias alternativas”, como a solar ou a eólica, e desenvolverem estratégias de negócios na área ambiental.

O turco Sinan Eden, há sete anos residente em Portugal, lembrou que em “dois anos de luta” foram travados 13 dos 15 contratos de exploração de petróleo e gás (o mais recente em Alzejur).

“Somos um risco de investimento para estas empresas. Estamos aqui para dizer que vamos resistir”, disse o ativista da Climáximo em frente à sede da Australis.

O dia de ação global em defesa do clima foi denominado “Climate Alarm” e estendeu-se a 20 países de cinco continentes.

Os ativistas portugueses lançaram também o apelo a um Acampamento de Ação contra o Gás Fóssil e pela Justiça Climática, a ter lugar no verão 2019.