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Covid-19: portugueses da Suíça sofrem de ansiedade e depressão

O aumento da ansiedade, a depressão e a violência doméstica são os principais motivos que levaram a comunidade portuguesa residente na Suíça a procurar apoio psicológico durante o confinamento devido à covid-19, afirma a psicóloga Bruna Matos.

De acordo com a psicóloga e presidente da Associação de Profissionais de Saúde Lusófonos da Suíça Francesa (LusoSanté), houve um acréscimo de 20% no que diz respeito à procura de ajuda psicológica no período do confinamento.

“O confinamento veio agravar situações já existentes de violência doméstica, depressões e ansiedade”, declara a psicóloga acrescentado que, no exercício da sua profissão, em que acompanha cerca de 40 pacientes semanais, a psicoterapeuta diz ter havido um aumento de procura de 20% durante o confinamento.

A profissional de saúde acredita que o número de procura terá tendência a aumentar após os impactos deixados pelo isolamento social, durante o confinamento imposto pela Conseil Federal cansada pelo novo coronavírus.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade da Basileia, as medidas de confinamento parcial impostas pelo Conselho Federal, na Suíça, para combater o coronavírus, deixaram uma em cada duas pessoas mais stressadas.

Os resultados do estudo são baseados nas respostas de 10.000 pessoas em toda a Suíça, durante o período de 6 a 8 de abril, três semanas após as medidas de isolamento terem sido introduzidas pelo Governo.

O estudo releva que os níveis de ‘stress’ provocados pelo coronavirus na Suíça são atribuídos a mudanças no trabalho ou na escola, bem como a uma vida social restrita ou ao cuidado de crianças.

De acordo com o relato feito pela psicóloga brasileira Emily Frezza, residente na Suíça há seis anos, que acompanha cerca de 70 pacientes portugueses nos estabelecimentos onde exerce funções, a situação atual, provocada pelo covid-19, veio acentuar o isolamento já vivido por uma grande parte dos pacientes que apresentam estados ansio-depressivos.

“Muitos dos pacientes que acompanho têm dificuldade em sair de casa e manter uma vida social ativa. Muitas das vezes, eram as consultas que os obrigava a sair e a ter de se arranjar. Esta situação de isolamento imposto para travar a propagação do covid-19, só veio piorar o estado desses pacientes”, diz a psicóloga, acrescentado que, para muitos, este período trouxe consigo uma “tensão adicional” que levou mesmo, nalguns casos, à violência.

“Nos lares em que os pacientes já apresentavam uma tendência agressiva, a tensão provocada pelo isolamento social veio agravar a situação. Chegou mesmo a haver episódios de agressões onde foi necessário a intervenção das autoridades”, relata a presidente da LusoSanté Bruna Matos.

Face à situação pandémica, os psicólogos e psicoterapeutas viram-se obrigados a adaptar os seus métodos de trabalho à nova realidade vivida provocada pela covid-19. A videochamada foi o meio de comunicação escolhido pela grande maioria desses profissionais para acompanhar os seus pacientes durante o confinamento.

Segundo as duas psicólogas entrevistadas pela agência Lusa, o período de isolamento social veio condicionar negativamente o trabalho de acompanhamento dos pacientes assim como o estado de cada um deles.

“Estas consultas à distância não vieram ajudar os pacientes, pelo contrário. Muitos deles, por se encontrarem confinados com as suas famílias, tiveram alguma dificuldade em expor os seus sentimentos pela falta de privacidade”, explica a psicóloga Emily Frezza, acrescentado que se viu obrigada a interromper as consultas de alguns pacientes que, por não se sentirem à vontade com as novas tecnologias, deixaram temporariamente de ser acompanhados.

Para os que ainda se encontram em confinamento parcial, as psicologas chamam à atenção para a importância da prática de exercícios físico e a estruturação de um programa diário para manter a saude mental.

Segundo o estudo realizado pela Universidade de Basileia, os sintomas depressivos tornaram-se mais agudos para 57% dos participantes. A frequência de sintomas depressivos graves saltou para 9,1% durante o semi-confinamento, contra 3,4% antes do surto do vírus no país alpino.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 304 mil mortos e infetou perto de 4,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios. Mais de 1,5 milhões de doentes foram considerados curados.

Na Suíça, morreram 1.595 pessoas das 30.514 confirmadas como infetadas, e há 27.200 casos recuperados, de acordo com o Office Fédéral de la Santé Publique.