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Comunidades católicas de língua portuguesa na Europa reuniram em Lisboa

A Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM) promoveu, em Lisboa, um encontro com os delegados das Comunidades Católicas de Língua Portuguesa na Europa, para analisar o acompanhamento dos emigrantes.

Eugénia Quaresma, diretora da OCPM, refere à Agência ECCLESIA a necessidade de “auscultar as bases” e recolher dados para dialogar com as várias conferências episcopais, num momento em que a “transição” das capelanias nacionais para paróquias “intercomunitárias”, com uma pastoral “intercultural”, é sentida com “tensão” pelas próprias comunidades migrantes.

A responsável do organismo da Conferência Episcopal Portuguesa sublinha que o “perfil do sacerdote para as migrações” é cada vez mais “rigoroso”, para construir “a unidade na diversidade”.

“É uma pessoa que tem de ter a capacidade de construir pontes com a comunidade portuguesa, com as diferentes comunidades que falam português e com a comunidade do país de destino”.

Esta aprendizagem “está a ser feita no terreno” e pode ser “a grande escola para toda a Igreja”.

Jan Eiyken, agente pastoral (teólogo) na Holanda, está ligado à comunidade portuguesa “há muitos anos” e foi aperfeiçoando a língua neste trabalho pastoral, com passagens pelo Portugal e o Brasil.

“Aprendi a língua durante o meu trabalho”, refere à ECCLESIA.

Antigamente, as comunidades eram organizadas “separadamente” da Igreja local, mas desde 2005, a Conferência Episcopal Holandesa decidiu integrá-las nas paróquias, como acontece agora em Haia.

“A nossa comunidade está inserida numa paróquia local e eu faço parte de uma equipa pastoral, com padres, diáconos, leigos. A minha função é, sobretudo, acompanhar as comunidades migrantes, dentro da paróquia”, explica Jan Eiyken.

Para este responsável, quem chega de fora traz consigo uma “bagagem” de espiritualidade, que ajuda a “sobreviver numa sociedade estranha”.

“A fé dos migrantes é um apelo à sociedade europeia”, sustenta.

O padre Carlos Gabriel, delegado para os Missionários no Reino Unido, realça a importância da “assistência religiosa” como “primeira grande função” neste trabalho junto da comunidade portuguesa, desde a celebração das Eucaristias à formação catequética, passando pelo acompanhamento de casais ou grupos de jovens.

Na Inglaterra faltam “grandes espaços” de reunião, mas a este trabalho somam-se as atividades culturais, “que são para muita gente uma forma de identificação”.

O padre Rui Pedro, antigo diretor da OCPM, é agora missionário no Luxemburgo, falando numa “experiência muito rica” junto de uma “grande comunidade” presente em todos os setores da sociedade e da Igreja, que se destaca pela capacidade de diálogo

“Tenho aprendido muito com os emigrantes, no que diz respeito à vida da fé”, acrescenta o sacerdote, para quem esta religiosidade é “importante” para fazer frente às dificuldades da vida e para os “princípios” da vida em família.

Os emigrantes exigem a “humanização” do acompanhamento que lhes é oferecido.

“É muito importante que as dioceses portuguesas se empenhem na formação dos leigos”, para que, caso tenham de partir, possam ser “autênticos evangelizadores”, precisa.

O padre Victor Cecílio Abrantes, delegado para os missionários da Alemanha, sustenta que estas missões “continuam a funcionar como um ponto de referência para todos os portugueses. Os portugueses que chegam à Alemanha têm nas missões católicas um centro de acolhimento, de encontro, também de partilha da mesma fé”.

Uma presença “visível”, com tradições próprias e um património religioso “muito bem aceite” pelos próprios alemães, tornando-se “uma referência para a própria diocese onde vivem”.

A reunião, em Lisboa, serviu ainda para avaliar o encontro de formação dos missionários da diáspora de língua portuguesa e preparar o próximo, que se realiza em outubro de 2019.