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Começou uma Semana Santa como nunca ninguém tinha visto

A Igreja Católica em Portugal começou este domingo a celebrar a Semana Santa, 23 dias depois da suspensão comunitária das Missas, com dezenas de celebrações transmitidas online e cruzes nas portas de casa, em contraponto aos bancos vazios.

Algarve

D. Manuel Quintas, bispo do Algarve, recordou na sua homilia os tempos de “convulsão”, a vários níveis, provocados pela pandemia de Covid-19, sem esquecer as “profundas repercussões na economia”.

O responsável católico deixou votos de que a Semana Santa ajude a iluminar “o sofrimento e a morte provocados por este vírus”, sublinhando que Deus tem um “lugar especial” no seu coração para “os filhos que mais sofrem”.

O bispo deixou uma palavra especial aos jovens, lamentando não ter sido possível celebrar com eles o seu dia.

“Une-nos o entusiasmo e a paixão por Cristo, os valores que Ele nos deixou”, assinalou, prometendo “retomar o percurso”, rumo à JMJ 2022, em Lisboa.

Angra

Na Sé de Angra, D. João Lavrador convidou os católicos a viver o caminho de Jesus de Nazaré, “que se encontra com toda a humanidade, desafiando a todos e carregando sobre si os sofrimentos, as exclusões, as amarguras, as injustiças e os clamores do homem ao longo da história”.

As celebrações têm transmissão em direto pela RTP Açores, Antena 1 Açores, Rádio Clube de Angra e VITEC.

“Na verdade, este ano não podemos separar este caminho do sofrimento que experimenta a população mundial a requerer gestos de amor, de partilha e de despojamento para aliviar a dor de quem sofre, mas igualmente a sabedoria necessária para auscultarmos o querer de Deus presente nestes sinais tão dramáticos”, indicou o responsável pela diocese açoriana.

Aveiro

“Devemos continuar em casa para salvaguardamos o maior número possível de infeções” foi o apelo deixado por D. António Moiteiro, para quem este tempo “diferente” pode ser “muito rico espiritualmente”.

“Jesus continua presente na oração, no amor fraterno, na comunhão de uns com os outros”, apontou o responsável católico.

Jesus está nas vossas casas, presente na comunhão das vossas famílias. É aí, que este ano, vamos celebrar a Páscoa”.

Beja

Na Sé de Beja, D. João Marcos convidou cada cristão a questionar-se sobre os seus próprios comportamentos, “sobretudo nas relações com os próximos”, partindo do relato da Paixão de Cristo e dos seus vários protagonistas.

“Aprendamos com Jesus a caminhar na presença de Deus, quer dizer, a viver na fé”, referiu.

O bispo da diocese alentejana dirigiu-se em particular a quem está só, apresentando Jesus como “o próximo mais próximo”.

Braga

D. Jorge Ortiga, arcebispo primaz, tem celebrado a Missa todos os dias, com transmissão online, e hoje evocou os doentes, idosos, os que se sentem mais sozinhos, pais e filhos, realçando a importância de assumir como prioridade o “bem comum”, na atual situação social: “Todos somos cuidadores uns dos outros”.

“Quando está em jogo a vida de um povo, ninguém pode remar a seu bel-prazer”, alertou o responsável católico.

Aos jovens “compete repensar a Igreja do futuro” e dar um “novo sentido coletivo” à sociedade.

Bragança-Miranda

“É com dor no coração que celebramos a liturgia do Domingo de Ramos na Paixão do Senhor sem a comunidade reunida na igreja catedral”, admitiu D. José Cordeiro, numa catedral vazia, antes de considerar que “na fé da Igreja, sente-se que está mais cheia que nunca.

A” todos e especialmente aos Jovens: a cruz de Jesus Cristo ilumina a nossa peregrinação pascal e sobretudo a das pessoas mais velhas e mais vulneráveis. Estamos juntos”, declarou o bispo de Bragança-Miranda, numa homilia enviada à Agência ECCLESIA.

Coimbra

D. Virgílio Antunes aludiu, na Missa a que presidiu, com transmissão online, ao contraponto entre a efusividade habitual do Domingo de Ramos e o isolamento social em tempos de pandemia: “Este ano, de uma forma muito mais discreta, pensamos no mesmo Senhor, pensamos na mesma aclamação”.

O responsável pediu que os católicos sejam solidários com os “homens e mulheres” que vivem momentos de sofrimento, porque o Cristianismo tem a “marca do amor”, de oferecer a vida por Deus e pelo próximo.

O bispo de Coimbra deixou uma saudação aos que nas atuais “circunstâncias dramáticas” estão junto dos doentes e dos idosos.

Évora

Na igreja de São Francisco, um “templo histórico” onde está a capela dos ossos, o arcebispo de Évora deixou uma mensagem clara: “Ficai aí em casa, o Senhor vela por nós”.

D. Francisco Senra Coelho recordou os mais idosos, os que vivem sós, as famílias e os jovens, as crianças que estão em casa, os presos, quem cuida de pessoas com deficiência e os que estão na linha da frente do combate ao Covid-19.

“A vossa humanidade é para nós um testemunho e um desafio”, disse, dirigindo-se aos profissionais de saúde.

O arcebispo falou da “Paixão dos dias do Covid-19” e fez um pedido: “Que esta celebração nos identifique com o Senhor”.

Funchal

D. Nuno Brás está em ligação com o arquipélago, desde a suspensão das celebrações comunitárias da Missa, através da RTP-Madeira, e sublinhou hoje que no meios dos “condicionalismos” atuais, os cristãos são chamados a afirmar a sua condição fundamental de “discípulo”.

“Vamos vivê-la, antes de mais, como Jesus a viveu, acompanhando, colocando-nos no seu seguimento”, apelou, a respeito da Semana Santa.

Os católicos, precisou o bispo do Funchal, devem ser “discípulos que escutam o Senhor e que vivem como Ele lhes pede”.

Guarda

Numa homilia enviada à Agência ECCLESIA, D. Manuel Felício refletiu hoje sobre o sofrimento e a morte, considerando que “podem ser vividos como ato de serviço pelos outros”.

“Como aconteceu com Jesus, também em nós é natural a recusa do sofrimento e com ele dirigimos a Deus, neste momento a nossa prece, em nome de toda a Humanidade – Pai afasta de mim este cálice; e também como ele havemos de saber cuidar a atitude de não colocarmos a nossa vontade e o nosso interesse acima de tudo”, advertiu.

O bispo da Guarda escreveu uma mensagem à diocese, pedindo que nos dias de isolamento os católicos saibam “valorizar especialmente a Bíblia, os diferentes símbolos da Fé em casa, como é o crucifixo, mas também o exercício da Via-sacra e a meditação dos mistérios dolorosos do terço do Rosário”.

Lamego

D. António Couto, bispo de Lamego, publicou a sua habitual reflexão sobre os textos lidos nas celebrações eucarísticas deste domingo.

O Evangelho que enche este Domingo de Ramos na Paixão do Senhor é o imenso e impressionante relato da Paixão de Mateus 26,14-27,66, que marca o ritmo da nossa «Semana Santa», que as Igrejas Orientais chamam «Semana Grande», e que o antigo rito da Igreja de Milão conhecia por «Semana Autêntica». Somos nós, portanto, carregando os nossos ódios, raivas, mentiras, invejas e violências, seguindo a par e passo o Rei manso e obediente que a nós e por nós se entrega por amor, absorvendo,

Leiria-Fátima

Do Santuário de Fátima, sem peregrinos, o cardeal D. António Marto quis fazer a todos um pedido: “Vamos viver esta Semana Santa sem celebrações comunitárias, despojada de manifestações exteriores, sem atos públicos como procissões ou via-sacras, mas sem esquecer o essencial, o mistério da morte e ressurreição de Jesus”.

“Nas chagas de quem sofre tocamos as chagas de Cristo, em particular nas chagas dos que hoje sofrem o flagelo da enfermidade do coronavírus ou a morte de um ser querido. Cristo em agonia pede que os acompanhemos com compaixão e solidariedade, e apoiemos também os que cuidam deles com amor e generosidade”, referiu o bispo de Leiria-Fátima, numa homilia enviada à Agência ECCLESIA.

Lisboa

Neste Domingo de Ramos, D. Manuel Clemente celebrou Missa na Sé de Lisboa, com transmissão televisiva, e referiu que a Igreja é uma “frente comum na luta pela vida”: “Ninguém desarma, mesmo que não possam estar presentes fisicamente, em muitos casos”.

“Todos se multiplicam em iniciativas e redescobre-se a dimensão doméstica da Igreja”, destacou o cardeal-patriarca, elogiando as iniciativas solidárias e os testemunhos de dedicação ao próximo que se têm multiplicado por estes dias.

Portalegre-Castelo Branco

D. Antonino Dias dirigiu uma mensagem aos jovens, neste Dia Mundial da Juventude 2020, após o adiamento do encontro diocesano que iria assinalara esta data, por causa do “mortífero Covid-19”

“Não nos vamos encontrar com os jovens nesse dia e nesse lugar determinado, mas vamos continuar unidos e a viver. É caraterística dos jovens a paixão pela vida e pelo que a vida oferece de bom. Saber coisas, conhecer lugares e pessoas, conviver e aventurar-se, fazer experiências, ter gana de mudar o mundo, lutar e sonhar, sonhar e lutar”, escreveu o bispo de Portalegre-Castelo Branco.

Porto

Devido à situação de estado de emergência que vive o país, em plena pandemia do coronavírus, que obriga a ter a as igrejas fechadas sem a reunião da assembleia dos fiéis, o bispo do Porto publicou uma nota que reafirma a necessidade de “confinar o vírus e evitar mais contágios e sofrimentos”.

D. Manuel Linda convida as famílias e todos os que estão em casa a acompanhar as celebrações da Semana Santa.

O responsável deixou ainda uma mensagem aos mais novos, numa Jornada Diocesana da juventude vivida de “outra forma”, com a ajuda das redes sociais e atenção ao próximo.

“Neste momento, há mais do que nunca, necessidades fortes a nível social”, alertou D. Manuel Linda.

Santarém

Diariamente presente nas redes sociais, D. José Traquina, deixou hoje uma saudação às comunidades da Diocese de Santarém, face à privação das celebrações comunitárias, recordando que também os primeiros cristãos celebravam em casa a sua fé.

O responsável deixa uma referência especial aos jovens, que deveriam estar em Roma com o Papa para receber os símbolos da Jornada Mundial da Juventude.

“Peço a todos que nos interessemos uns pelos outros, contactando, fortalecendo, dando uma palavra de coragem e de consolação”, declarou.

O bispo de Santarém celebrou privadamente com o bispo emérito D. Manuel Pelino, e com alguns dos sacerdotes residentes no Seminário de Santarém.

Setúbal

Da catedral sadina, D. José Ornelas, convidou todos a fazer um gesto de “acolhimento” a Cristo, na esperança da sua ressurreição, numa Igreja com menos gentes, mas em ligação para lá das “redes” virtuais

“Que esta semana seja vivida assim, nas nossas famílias, no aprofundamento das nossas relações”, com oração e atenção aos que mais precisam, apelou.

“Que ninguém fora deste amor de Deus”, insistiu.

Já numa mensagem” à Diocese, o bispo de Setúbal reconhece que, este ano, as festividades pascais têm lugar num ambiente de grande contenção e preocupação.

“Dê-se especial atenção aos serviços da caridade, especialmente no que diz respeito às pessoas mais vulneráveis, em termos de saúde, de carência económica ou de isolamento”, recomenda.

Viana do Castelo

No Alto Minho, D. Anacleto Oliveira deixou críticas a quem não cumpre o isolamento, quem quer “açambarcar tudo” para si próprio e quem quer “enriquecer com esta pandemia”, falando durante a Eucaristia de Domingo de Ramos

“Rezemos por essas pessoas para que abram os olhos e vejam que, ao procederem assim, destroem a sua própria vida. Sejamos, se possível, intermediários para as convencer a enfrentar a pandemia com um olhar humano e cristão”, pediu.

A celebração foi transmitida em direto nas páginas de facebook da Diocese de Viana do Castelo, da Agência Ecclesia e da VianaTV.

Vila Real

Através do canal diocesano do Youtube e de várias rádios regionais, D. António Augusto Azevedo falou desde a Catedral de Vila Real para a sua diocese, evocando quem vive situações mais difíceis.

“Estes dias que vivemos, de angústia e de preocupação, por causa da pandemia”, mostram a marca do “paradoxo” da vida humana, entre a alegria e o sofrimento, como acontece na Semana Santa, que começa com a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, poucos dias antes da sua morte, disse na sua homilia.

“A nossa fé em Jesus Cristo é uma fé cheia de realismo e de humanidade”, acrescentou.

O bispo de Vila Real espera uma Semana Santa diferente, “mais profunda, mais interior”, desafio que estendeu aos jovens: “Podemos ser Igreja, também nestas circunstâncias”.

Viseu

O bispo de Viseu presidiu à Missa na Sé, confessando-se emocionado perante um cenário de “bancos vazios”, mas com todos os católicos reunidos espiritualmente, nas suas casas e nas famílias, em “Igreja doméstica”.

“Que sensação tão estranha, mas que beleza espiritual tão rica”, declarou D. António Luciano.

O responsável deixou um apelo a viver a Semana Santa com “silêncio, oração e contemplação”.

“Fiquemos em casa. Prevenção e contenção, para que a epidemia possa ser debelada bem depressa”, disse, desejando que os gestos de solidariedade que se multiplicam sejam “sinais de esperança”.