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Coimbra: festival de cinema consagra dois filmes de emigrantes

O filme “O Fim do Mundo”, de Basil da Cunha, um realizador luso-suíço, venceu hoje o Grande Prémio do festival Caminhos do Cinema Português, em Coimbra, e “Listen”, de Ana Rocha de Sousa, portuguesa a viver em Londres, conquistou o Prémio do Público, anunciou a organização.

“Um tempo, um imaginário e um elenco generoso permitiram a construção de um universo emocionalmente duro, mas que nos acompanha numa reflexão muito depois de o filme ter terminado”, sustenta o júri da secção principal do festival, sobre “O Fim do Mundo”.

Basil da Cunha também venceu o prémio D. Quijote do festival, da Federação Internacional de Cineclubes, com o júri a salientar que a longa-metragem revela “um trabalho consistente, expresso pela empatia na relação com atores não-profissionais que se traduz em desempenhos notáveis”.

“O Fim do Mundo” é a segunda longa-metragem de Basil da Cunha. O filme fala de um jovem que regressa a um bairro ilegal do concelho da Amadora, onde tenta reintegrar-se, depois de anos passados numa casa de correção. Foi selecionado para o festival de Locarno, em 2019, e recebeu o Prémio de Melhor Longa Metragem Portuguesa no festival IndieLisboa, no passado mês de setembro, tendo sido também distinguido com o Prémio Árvore da Vida da Pastoral de Cultura.

O filme “Listen”, de Ana Rocha de Sousa, venceu o Prémio do Público, tendo ainda arrecadado o prémio de melhor realizadora, melhor atriz (Lúcia Moniz) e melhor ator secundário (Ruben Garcia), revelou a organização.

 

Candidato de Portugal a uma nomeação para os Óscares, na categoria de Melhor Filme Internacional, “Listen” é a primeira longa-metragem de ficção de Ana Rocha de Sousa, um drama familiar inspirado numa história real, sobre uma família portuguesa emigrada em Londres, a quem é retirada a guarda dos filhos, por suspeitas de maus-tratos. A narrativa acompanha os esforços da família em provar que as suspeitas são infundadas.

O filme venceu seis prémios no Festival de Veneza, entre os quais o “Leão do Futuro”, para uma primeira obra, e o prémio especial do júri da competição Horizontes. Estreado nos cinemas portugueses em 21 de outubro, somou desde então mais de 34 mil espetadores, liderando o ‘ranking’ dos filmes portugueses mais vistos em 2020.

Quanto ao prémio de melhor ficção, nos Caminhos do Cinema Português, foi para “Patrick”, de Gonçalo Waddington, selecionado há um ano para o Festival de San Sebastián. Em Coimbra, o filme recebeu ainda o galardão de melhor direção artística e melhor ator (Hugo Fernandes).

“Nheengatu”, de José Barahona, venceu o prémio de melhor documentário, “Maré”, de Joana Rosa Bragança, melhor animação, e “Bustarenga”, de Ana Maria Gomes, melhor curta-metragem.

De acordo com a organização, “Amor Fati”, de Cláudia Varejão, venceu o Prémio de Imprensa, tendo ainda arrecadado melhor som e melhor montagem.

Bernardo Lopes, com “Moço”, venceu o prémio revelação, ainda na secção competitiva principal, a seleção Caminhos.

Na seleção Ensaios (dedicada a obras criadas em contexto académico), os irmãos Afonso e Bernardo Rapazote venceram na categoria de melhor ensaio nacional, com “Corte”, e Clara Borges e Diana Agar, na categoria de melhor ensaio nacional de animação, com “O Presidente Veste Nada”.

Na categoria internacional desta seleção, venceu Leonardo Martinelli, com “Copacabana Madureira”.

A 26.ª edição do festival Caminhos do Cinema Português contou com quase 150 filmes portugueses a participar nas secções competitivas.