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China disposta a investir no ensino do português

 A China está disposta a investir “fortemente, com recursos humanos e financeiros” no ensino do português e será um “bom parceiro nessa área”, disse em entrevista à Lusa o presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua portuguesa.

“É evidente que a China, como uma grande potência, tem interesses no Brasil e em África e, por isso, quer expandir o seu conhecimento da língua portuguesa e nós, conhecendo isso, tentamos com a nossa oferta ir ao encontro dessa procura”, afirmou o embaixador Luís Faro Ramos, que este mês completou um ano como presidente do Camões.

Com o Instituto Português do Oriente (IPOR), controlado pelo Camões e Fundação Oriente, em Macau, Faro Ramos considera que Portugal tem “um instrumento fortíssimo” de divulgação da língua portuguesa na região.

“E não estamos a falar só na China, mas em toda a região da Ásia Pacífico”, ressalvou.

Segundo o embaixador, neste momento há mais de 30 universidades chinesas que querem ensinar o português.

“O interesse pelo português na China explodiu. O IPOR ajuda muito com o seu corpo de cerca de 20 professores e tem parcerias com instituições de Macau e da China. E seguramente os números do ensino da língua vão crescer muito”, afirma.

Faro Ramos falava à Lusa em vésperas da visita do Presidente chinês a Portugal.

Xi Jinping estará em Portugal esta semana, e vai reunir-se, em Lisboa, com o homólogo português, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro, António Costa.

Trata-se da primeira deslocação oficial de um chefe de Estado chinês a Lisboa desde 2010, e ocorre a cerca de três meses do 40.º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre Lisboa e Pequim.

“Há uma constatação, que penso que vai ser reforçada, quando o Presidente da China vier a Portugal, da importância para a China da aprendizagem da língua portuguesa”, adiantou o presidente do Camões, que referiu que não está prevista a assinatura de acordos neste domínio.

Para Faro Ramos, 2019 vai ser mesmo “o ano da China” em vários aspetos: depois de este ano terminar com a visita do Presidente chinês a Lisboa, comemoram-se no próximo ano os 20 anos da passagem da administração de Macau de Portugal para a China.

Mas não é só pela China que os números do ensino do português pelo mundo vão crescer.

“O Zimbabué foi um dos países que manifestou interesse em que o português passe a fazer parte dos currículos de ensino nas suas escolas públicas”, revelou o presidente do Camões.

Em 2018, o português foi integrado no ensino escolar na Venezuela e em breve vai integrar os currículos escolares da Argélia. E está a caminho também das escolas da África do Sul, disse, referindo ainda a Costa do Marfim como outro país onde o português passará a ser ensinado nas escolas.

Isto acontece, assegura, sem um esforço financeiro adicional para o Estado português.

“O que é fantástico, porque é um assumir por parte das autoridades que recebem o português da importância da nossa língua. Hoje, o português é uma língua global com valências na área da ciência, da economia e da cultura”, afirmou.