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Chamamo-lo à razão?!

“No dia em que eu me tornar parva chamem-me à razão, porque há momentos em que nos tornamos parvos e não temos noção disso” – Senhora dona Cristina Ferreira, citada pelo JN.

Eu sei que muitos dos meus poucos leitores se terão questionado pelo meu apagão em torno do fenómeno mundial – não apenas de Estado, que é transferência da senhora dona Cristina Ferreira para outro canal televisivo.

Nem eu sei como consegui escapar à voragem mediática, ao tamanho turbilhão estatal, além de não ter ligado nenhum, nenhum, nenhum, rigorosamente nenhum ao assunto (de Estado) de tão medonho que é(ra) que me faria corar e tremer de vergonha. Poupei-me, graças a Deus!

Porém, todavia, contudo a partir de um certo episódio reparei que a senhora é familiar a quase todos, dado o contexto em que é referido o seu nome: o DA ou A e não DE Cristina Ferreira.

No pretérito imediato dia sete do mês que transcorre da era de valha-me-Deus-Nosso-Senhor-Jesus-Cristo, por acaso – e convém-me sublinhar “por acaso”, porque não sou consumidor de televisão deliberadamente, – liguei o aparelho televisor e ouvi uma loa numa voz que me lembrava o verbo do senhor Presidente da República, Professor-Doutor Marcelo Rebelo de Sousa. Juro, juro – estou a escrever juro, que pensei que era alguém a imitar o PR. E ia-me ficar pela graça e desligaria o aparelho. Porém, percebi no contexto, aquilo que se trata que continuo – continuo, reitero eu à margem do que realmente se passa – à margem apesar de tudo do mais que se consegue pelo bombardeamento a que estou sujeito mas para muitos alegremente sujeitos, é assunto sobejamente conhecido pelos meus preclaros… fiquei a ver? Ouvir? Não sei. Acho que fiquei tonto.

O Senhor Presidente desta República ligava a uma profissional de televisão em directo e interrompendo o seu / dele trabalho, para em directo tecer loas, num ambiente discriminatório e parcial, hostil de concorrência que há meses vem mexendo com o Mundo. O Mundo português – o Estado, os portugueses, os sequazes que a defenderam dizendo que o que muitos têm é inveja e por aí adiante. Se me pouparem ao exercício eu poupo-vos a memória do assunto que sabem às cordilheiras de cordilheiras mais que eu.

Já tenho escrito que há milhares de trabalhadores levantando-se de madrugada, numa motita com a mulher tiramolar o campo e levar os seus muito pequenos filhos aos seus pais ou aos seus sogros, e rumam à fabrica onde são o verdadeiro, o primeiro motor da economia portuguesa e nunca alguém os agraciou. Esta minha articulação é-o de antes DO Marcelo Rebelo de Sousa ser PR.

Ante o que a ilustrada senhora diz no topo deste texto, soe-me ser grosseiro porque não tenho outra, alguma, nenhuma alternativa.

O que é o senhor Marcelo Rebelo de Sousa comparado aquela saída da senhora?! Não deverá ser chamado à razão?

Mário Adão Magalhães

(Não pratico deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico).