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Portugal prepara-se para ajudar refugiados da Venezuela no Brasil

A embaixada portuguesa no Brasil está a equacionar a abertura de uma representação, mesmo que simbólica, em Boa Vista, a capital do estado de Roraima, no Norte do país, para dar resposta à provável chegada de refugiados de origem portuguesa da Venezuela. O plano está a ser desenhado na sequência de uma visita de três dias do deputado Carlos Páscoa, eleito pelo PSD no círculo Fora da Europa, à cidade de Boa Vista, onde, desde o início da crise política, económica e social venezuelana chegaram perto de 50 mil imigrantes.

A situação na cidade, contou Carlos Páscoa ao jornal Público, é dramática, mas até este momento não há registo de chegada de portugueses ou luso-descendentes. “A única exceção foi a de um cidadão português que conseguiu encontrar trabalho”, disse o deputado, que esteve na capital do estado de Roraima na semana passada.

“Pelos relatos que ouvi, e a manter-se a situação na Venezuela, é uma questão de tempo até começarem a chegar portugueses”, alertou o parlamentar social-democrata, que vai entregar um relatório do que viu e ouviu ao embaixador de Portugal em Brasília, Jorge Cabral. Os que chegam a Boa Vista, uma pequena cidade no interior brasileiro, com cerca de 330 mil habitantes, falam da existência de vários portugueses nas cidades vizinhas na Venezuela. “Numa cidade próxima, existe uma praça chamada Esquina dos Portugueses”, diz Carlos Páscoa, explicando que, devido aos “pequenos negócios” que têm, os portugueses têm resistido a partir. “É difícil para eles deixar tudo o que construíram e partir, mas, se a situação na Venezuela se prolongar, com certeza que vão começar a sair do país. Para já, são os mais pobres os que têm partido.”

Antecipando esse fluxo, e tendo em conta que o posto consular português mais próximo de Boa Vista fica em Belém, a cerca de três horas de avião, a embaixada em Brasília poderá avançar para a nomeação um cônsul honorário, para acolher os portugueses que venham a chegar à cidade, onde os refugiados já representam 10% da população. “Já falei com o vice-cônsul em Belém Francisco Neto Brandão, e ele planeia deslocar-se a Boa Vista nos próximos dias, para inteirar-se da situação.”