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O paulistano amoroso

Se, em Bragança, tive o privilégio de ter a amizade de três jovens, que, com a sua juventude, amenizaram os dias sombrios que passei nessa encantadora cidade; em São Paulo, encontrei menino maravilhoso, possuidor de coração terno, que deveras se afeiçoou a mim.

Era de beleza exótica. Rosto redondo, ou quase; olhos ligeiramente oblíquos; pele clara e sedosa; cabeleira em oiro velho, que lhe escorria até aos ombros, enquadrando a bela cabecinha de menino.

Um dia, a mãe, em conversa, disse-me que o rapazinho vivia um pouco perdido, por ser o do meio, de ranchinho de meninos.

Olhei para o petiz, e logo simpatizei com ele. Ao regressar a Portugal, enviei-lhe lindo postal ilustrado, da cidade do Porto.

Respondeu-me, prontamente, numa caligrafia incerta, mas perfeita.

Decorrido tempo, regressei à Pauliceia. Logo que me foi possível procurei-o. Tinha crescido. Tornara-se num mocinho forte, bem constituído, mas, ainda, com rostinho de criança.

Rapidamente verifiquei, que não me esquecera, e que tudo fazia para me agradar.

Fui, com ele, para Bertioga. Nesse tempo ainda havia a balsa para atravessar o rio.

Durante os dias que passamos na praia, verifiquei, que se afeiçoara a mim, ao ponto de, imitar-me nas atitudes, nos gestos, e nos gostos.

Mais tarde, vi-o na Foz do Iguaçu. Era já homem feito; entusiasta pelo futebol. Estava ainda mais elegante e esbelto. Um rapazão!

Soube, depois, que se formara em engenharia, e que trabalhava em Florianópolis.

Certo dia, acompanhei-o no “fusca”, quando ia levar o avô à Lagoa da Conceição.

A forma carinhosa como cuidava do avozinho, doente, sensibilizou-me e comoveu-me, profundamente.

Apesar de ter crescido e praticar desporto radical, continuava o mesmo menino bondoso e meigo. O rapazinho terno que conhecera, um dia no Sumaré, em São Paulo.

Ainda há gente boa; gente de coração; gente amiga do seu amigo; gente que sabe ser gente… mas é tão raro!