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Liga dos Campeões rendida ao valor do treinador português

A Liga dos Campeões edição 2017-2018 arranca amanhã com uma evidência: o treinador português está mais bem cotado do que nunca.

Ao pesquisar as nacionalidades dos treinadores das 32 equipas presentes na prova rainha da UEFA chega-se a uma conclusão factual: não há um país com mais treinadores do que Portugal na Liga dos Campeões. São seis ao todo, mérito de José Mourinho (Manchester United), Jorge Jesus (Sporting), Leonardo Jardim (Mónaco), Paulo Fonseca (Shakhtar), Rui Vitória (Benfica) e Sérgio Conceição (FC Porto).

Apenas a Itália tem tantos treinadores como Portugal, com representantes nos campeões de Inglaterra, Alemanha e Rússia: Antonio Conte no Chelsea, Carlo Ancelotti no Bayern Munique e Massimo Carrera no Spartak Moscovo. Isto a juntar aos técnicos das suas três equipas – a campeã Juventus, Roma e Nápoles.
Uma situação similar à de Portugal com uma ligeira nuance. Se os três grandes têm técnicos nacionais, entre os três emigrantes o nosso país conta com apenas dois campeões; Leonardo Jardim em França e Paulo Fonseca na Ucrânia. José Mourinho surge nesta prova por ter conquistado a Liga Europa, pois não só não foi campeão como também não obteve qualificação pelo campeonato.

“O que é que eu posso dizer? Sinceramente penso que esse é um dado factual e que atesta a qualidade do treinador português. Termos seis treinadores entre 32 equipas que participam na Liga dos Campeões comprova que houve uma grande evolução do treinador português nos últimos anos na forma de pensar, executar o jogo, operacionalizar o treino e os resultados estão à vista. Isto, felizmente, já não é propriamente uma novidade, mas reforça a imagem do treinador português, que, para mim, embora eu seja suspeito, está entre os melhores do mundo. Posso mesmo dizer que quanto mais conheço outras realidades mais certeza tenho disso”, referiu ao DN Paulo Fonseca, que na quarta-feira via ter um duelo particular com um dos seis italianos presentes na Champions – Maurizio Sarri, técnico do Nápoles.

De registar é a parca presença de treinadores franceses ou alemães. O bicampeão europeu Zinedine Zidane (Real) salva a honra dos gauleses, ao passo que Jürgen Klopp (Liverpool) é o único técnico germânico a poder sagrar-se campeão europeu. Para se ter uma noção, França e Alemanha estão abaixo de Espanha, Argentina, que têm três treinadores cada, Holanda e Suíça (2 cada). E em igualdade de circunstâncias com países como Grécia, Áustria, Turquia e outros tão improváveis como Bielorrússia, Eslovénia, Azerbaijão, Irlanda do Norte ou Albânia. Ainda assim, melhor do que os ingleses, que não têm um treinador para amostra.

“Para ser verdadeiro, isso não me surpreende. E porquê? Porque as melhores ligas do mundo contratam os melhores, e os melhores são os portugueses, os italianos e os espanhóis”, refere Paulo Fonseca, que ousa ainda exprimir uma ambição. “Tendo o número de treinadores que temos, uma final entre dois portugueses seria aquilo que se costuma designar por cereja no topo do bolo”, salienta o antigo técnico de FC Porto e Sporting de Braga, certamente a pensar em Kiev, cidade que vai acolher a final da prova e onde o técnico reside e o Shakhtar trabalha durante o ano, devido ao conflito político na Ucrânia.