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José Mário Branco edita duplo álbum com inéditos e raridades em junho

O músico José Mário Branco lança em junho um duplo álbum com inéditos e raridades, gravados entre 1967 e 1999, nunca antes editados em digital e que espelham uma polivalência artística, como explicou à agência Lusa.

“A escolha que foi feita é muito variada, são coisas muito diversas. Eu acho que, de facto, o resultado final é uma prova de uma certa polivalência da minha parte, mas houve critérios apesar de tudo, porque era muito material e teve que se fazer uma seleção”, afirmou José Mário Branco.

“Inéditos 1967-1999” faz parte de um plano editorial da Warner Music, no âmbito dos 50 anos de carreira de José Mário Branco, e sucede à reedição, em dezembro passado, de sete álbuns de originais e um ao vivo, de um período que vai de 1971 e 2004.

O duplo álbum, que estará disponível a 01 de junho, está organizado de forma cronológica e abre com o primeiro EP, “Seis cantigas de amigo”, de 1967, ao qual se acrescentou agora o tema “Quantas sabedes amar, amigo (ou Mar de Vigo)”, nunca antes editado.

Entre as novidades incluídas neste álbum estão, por exemplo, a música “Fim de festa”, incluída num EP de marchas da Comuna-Cooparte, “Quantos é que nós somos”, feito para um disco de homenagem a Otelo Saraiva de Carvalho, e “Le proscrit de 1871”, retirado de um EP gravado com a cooperativa artística francesa Groupe Organon nos anos 1960, em Paris.

Há ainda temas compostos para cinema, nomeadamente para filmes de Paulo Rocha e Jorge Silva Melo, e três andamentos da obra instrumental “Fantaisie Languedocienne”, composta em 1987 e gravada este ano com um quarteto.

José Mário Branco recorda que a recuperação destes temas era “um projeto já muito antigo, porque houve coisas que ficaram para trás com a mudança para o digital”. É uma oportunidade de rever aqueles trinta anos de vida artística, parte dos quais vividos no exílio em França.

“Tem aí primeiras faixas a seguir às ‘cantigas de amigo’, que é um single da ‘Ronda do soldadinho’, foi um disco militante, foi um disco clandestino, claro que tinha que ser feito com pouco dinheiro, gravado em coisas que não eram bem estúdios, eram garagens onde havia gravadores, eram coisas muito rudimentares”, lembra.

José Mário Branco, 75 anos, habitualmente descrito como um dos mais influentes cantautores da música portuguesa, diz que não dá importância nenhuma a efemérides e celebrações de datas redondas.

“Não são coisas que me motivem muito, tenho respeito pelo respeito das pessoas, mas essas histórias das efemérides…”, afirmou.

O último álbum de originais, “Resistir é vencer”, data já de 2004, mas o compositor e produtor não mostra pressas em gravar coisas novas. “Sempre fiz poucos discos por causa dessa polivalência. Gosto muito de trabalhar para os outros. Não me sinto menos interessado por não ser eu a cantar”.

A esse trabalho de produção e colaboração com outros artistas, como Camané, Amélia Muge, Sérgio Godinho ou Fausto Bordalo Dias, junta ainda uma certa resistência em subir a um palco para “cantar as coisas do costume com as pessoas a acenderem isqueiros e telemóveis e abanar o capacete com as canções que têm vinte ou trinta anos”.

“Comecei a sentir-me um bocado museológico em cima do palco. Há uns tempos que eu não faço concertos nem recitais, mas felizmente não paro de trabalhar e de fazer coisas de que gosto imenso”, disse.