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Frederico Morais quer ser o melhor estreante do circuito mundial de surf

O português Frederico Morais assumiu esta quarta-feira a ambição de ser o melhor estreante do ano do circuito mundial de surf, admitindo sentir um orgulho acrescido pela entrada direta na etapa de Peniche do circuito.

“Esse prémio, o ‘rookie of the year’, é, sem dúvida, uma coisa que quero muito. Está tudo em aberto, estamos muito próximos e as próximas etapas vão ditar o vencedor. Se continuar com o surf que tenho feito e com os resultados que tenho obtido, não sei se vou vencer, mas sei que vai ser uma boa disputa”, afirmou ‘Kikas’, em entrevista à agência Lusa.

O português chega a Peniche na liderança da classificação particular entre estreantes, com mais 1.200 pontos do que o australiano Connor O’Leary, 15.º do circuito, numa ‘luta’ que Frederico Morais antevê que ocorra até à última etapa.

O cascalense, de 25 anos, já alcançou o seu primeiro objetivo da temporada, ao garantir o número de pontos suficientes para continuar no circuito, mas, na praia de Supertubos, em Peniche, cujo o período de espera decorre entre sexta-feira e 31 de outubro, vai querer ter “uma boa performance e mostrar bom surf para deixar as pessoas felizes”, apesar de reconhecer que “nunca” sabe o que esperar das condições do mar.

“Eu não diria uma pressão acrescida, diria um orgulho acrescido. Vai ser um evento muito especial no meu primeiro ano como residente no ‘tour’ [circuito mundial], sem precisar de ‘wild card’ e isso é especial”, afirmou o atual 13.º classificado do ‘ranking’.

O compatriota Vasco Ribeiro, que em 2015 alcançou as meias-finais da etapa portuguesa, será o outro português em prova e, para ‘Kikas’, o atual campeão nacional tem qualidade para estar juntamente com ele e com os melhores surfistas no circuito principal.

“Ele é um grande surfista, tem um potencial enorme, acho que tem tudo e vai conseguir [entrar no circuito mundial], mas depende dele e do seu surf. Como amigo espero que este campeonato em Peniche nos corra tão bem como correu há dois anos”, recordou o surfista cascalense, que em 2015 chegou aos quartos de final, depois de ter eliminado o norte-americano Kelly Slater.

O segundo lugar obtido em Jeffreys Bay, na África do Sul, onde foi apenas superado na final pelo brasileiro Filipe Toledo, foi “um momento histórico e de orgulho para o surf português”, porém frisou que outra das metas passa por “elevar cada vez mais o patamar” para Portugal.

Por fim, Frederico Morais abordou a falta de apoios aos jovens surfistas portugueses, mas elogiou os eventos que Portugal organiza.

“É uma pergunta difícil. Acho que nós temos apoios inacreditáveis, temos um campeonato [de qualificação] de 10.000 pontos em Cascais e melhor do que isto não há. Temos um [campeonato de qualificação] 6.000 nos Açores, temos um [campeonato] WCT em Peniche. Não há muitos países com eventos desta grandiosidade”, reconheceu.

Fica a faltar o investimento nos atletas, de acordo com Frederico Morais.

“Acho que apoios há, se calhar falta mais investimento da nossa parte, acreditarmos mais, se formos mais no ‘World Tour’, se formos mais nos ‘tops’ de WQS [circuito de qualificação], se calhar iremos ter mais apoios, mas, para termos apoios, também temos que ter performances”, concluiu.

Frederico Morais tornou-se em julho no primeiro português a chegar a uma final do circuito mundial, em Jeffreys Bay, no seu primeiro ano entre a elite.