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Opinião

Eu e o PSD

É engraçado, tenho a plena consciência que tendo em conta o meu ideário político, em determinado momento da vida, tanto poderia ser simpatizante do PS como do PSD.

A minha base familiar é de esquerda, de uma esquerda que até já foi mais à esquerda do que o Partido Socialista, e portanto durante muito tempo era aquilo que os meus pais me diziam para ser, e depois fui formando opinião, e sem ajudas, sem influências, fui caminhando um pouco mais para a Direita, reconhecendo que o conjunto de valores fundamentais que tenho como meus, tanto os encontro no PS como no PSD.

E os valores fundamentais são coisas simples: Fraternidade, Liberdade, totalmente contra a pena de morte, Democracia, Iniciativa Privada, Integração, e essencialmente algo que nos separa de outros partidos que estão mais à extrema esquerda e direita: reconhecer o facto que às vezes não temos razão, e eu acho que isto é muito importante.

Claro que o PS e o PSD não são iguais, há ali diferença evidentes, nomeadamente o primado entre o individual e o colectivo, mas que no fundo também não são antagónicas.

Portanto, o que é que faz com que eu seja um simpatizante do PSD e não o seja do PS? Se querem mesmo acreditar, acho que foram as companhias, boas para uns e más para outros. E uma pessoa acaba trocar impressões uns com os outros, criar estruturas de pensamentos e argumentos e logicamente fazer opções.

E ser-se simpatizante do PSD não significa que seja anti-PS, porque no fundo é o meu segundo partido favorito! E até já fui a um jantar comício do PS onde tirei uma foto ao lado de José Sócrates, e ele não me transmitiu doença alguma. Pelo contrário, vi milhares de pessoas a acreditarem numa mensagem, em várias ideias. Quem me levou até lá foi o meu amigo Ricardo Castanheira, mas tenho outros grandes amigos no PS, e vou referir apenas um que abandonou demasiadamente cedo este mundo e me faz muita falta, o Jorge Bento. Os outros sabem bem quem são.

E é isto… Mas claro que não é “tanto me faz”. Longe disso, é apenas afirmar que o Novo Mundo fica para a Direita e os outros remadores da galera remam para a Esquerda.

Ultimamente e por gosto, e porque prezo o meu amigo Nuno Freitas, e acredito bastante nas suas capacidades, apesar da modéstia que a cada momento ele exprime, acho que tem a energia suficiente para fazer de Coimbra, e com a estratégia adequada,  um concelho muito melhor, sem desprimor para alguém.

Ontem foi engraçado porque participei num almoço solidário promovido pela concelhia do PSD cuja totalidade da receita revertia a favor da Casa dos Pobres de Coimbra. E foi curioso porque foi um almoço solidário e não filantrópico, e existe uma evidente diferença entra a solidariedade e a filantropia. E o almoço decorreu na nossa casa, na casa dos Pobres de Coimbra.

Fui por vários motivos, e dois deles é porque se uma pessoa acha que existe alguém que pode mudar para melhor algo na vida de Coimbra, o melhor é ajudar e participar, e a outra é o facto de estar lá, a contribuir para gente como eu possa ter um pouco mais de aconchego e dignidade.

Estava cheio, estava mesmo muito bem, e eu contei as mesas, a capacidade de cada mesa, e seguramente estariam cerca de 250 pessoas, cada uma a contribuir com 15€.

Claro que houve discursos do Nuno e de Passos Coelho, mas foram breves e ligeiros, porque a solidariedade é uma obrigação para alguns e não uma forma de dar graxa ao ego.

E eu? Eu estive bem, estive muito bem na companhia do Nuno, da Fátima, do Carlos, do Rui.. troquei abraços com a Margarida, com a Olinda, com o Passeiro e tantos outros, e senti-me em casa.

Claro que me vou manter simpatizante, tanto mais que ninguém me deu uma ficha de inscrição, nem me tentou influenciar, trataram-me como igual, e passadas mais de 30 horas, não me envenenaram e não apanhei nenhuma doença contagiosa, e estou contente por ter participado em algo que não faz mal e ajuda centenas de pessoas carenciadas no nosso concelho.