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Opinião

É só teatro

© Pixabay

Em condições normais, não passaria pela cabeça de quem fosse que alguém pudesse pagar imposto pela propriedade de uma casa que não existe. Mas para a Esquerda não é assim. Enquanto os deputados do PS, PCP e BE debitavam bonitos discursos sobre a apregoada devolução de rendimentos às famílias, chumbaram a proposta que isentaria de IMI os contribuintes cujas casas foram destruídas ou fortemente danificadas e genericamente desvalorizadas nos recentes incêndios em Portugal. Basicamente, percebe-se, era só conversa. Pior do que isso, considerado que muita dessa destruição só aconteceu porque o Estado falhou miseravelmente nas suas atribuições e que afetados foram tantas vezes os mais velhos, isolados e pobres, a decisão resulta simplesmente aberrante. Cobrar a um contribuinte pelo que não tem, não é sequer imposto. É extorsão.

Contrastando, o Governo celebrou dois anos no poder, gastando 84 mil euros em 50 pessoas escolhidas a dedo para o frete de umas poucas perguntas ao primeiro-ministro, respondidas entre bocejos de ministros e secretários de Estado, entediados com a encenação. Quer dizer: de uma só vez, António Costa desbaratou mais dos cofres públicos no seu narcísico tratamento de imagem do que talvez a totalidade daquilo que o Fisco arrecadará em muitos concelhos, por casas e projetos de vida arruinados que tardarão anos a ser reconstruídos. Diz muito, mas não renega a essência de quem manda.

Nas últimas legislativas, já tinham sido pedidos votos em outdoors espalhados pelo país, à conta de publicidade enganosa. Num, via-se a imagem de uma senhora chorosa a par da legenda: “Estou desempregada desde 2012; para o Governo não existo; como eu são mais de 220 mil”. A personagem, soube-se depois, trabalhava na Junta de Freguesia de Arroios, liderada pelo PS. Noutro, exibia-se um cidadão pesaroso e a frase: “Fui obrigado a emigrar em 2012; o Governo chama-lhe oportunidade; como eu, são mais de 485 mil. O figurante contratado também vivia em Portugal, a soldo da dita Autarquia.

O procedimento não é novo; é toda uma escola. Foi inaugurada por José Sócrates no Governo, com a maior parte dos atuais ministros e secretários de Estado ao lado, discípulos empenhados que agora lhe copiam os passos. Naqueles tempos, pagavam-se 30 euros a crianças, num faz-de-conta de alunos fascinados com os computadores do Plano Tecnológico. E em campanha, juntavam-se paquistaneses para o trabalho exigente dos aplausos e abano das bandeiras do PS, a troco de refeições.

A natureza não muda. Muitas pessoas é que têm a memória curta.